

Hoje recebi o seguinte convite...
Maria (nome fictício, para protecção da pessoa em causa) invited you to "Benfica Campeão " on Sunday, May 9, 2010 at 11:00pm.
Event: Benfica Campeão
"Comemoração do Titulo Nacional 2009/10"
What: Mixer
Start Time: Sunday, May 9, 2010 at 11:00pm
End Time: Monday, May 10, 2010 at 9:00am
Where: Marquês de Pombal
Meus amigos, isto começa a tomar proporções ridículas! (E não, não aproveitem o termo "proporção" para fazerem nova referência às goleadas. Eu até acho isso giro. Dá mais emoção aos jogos e recebem 3 pontos na mesma, com o dobro do cansaço).
Este convite só me faz lembrar aqueles nerds que arranjam, sem saber como nem porquê, uma namorada giríssima, e pensam para si: "Deixa-me cá marcar já o casamento para ela não me fugir. Com a boda marcada, padrinhos convidados, igreja reservada e menu escolhido, com porco em vinha de alhos e tudo, ela não me vai fazer a desfeita de acabar tudo comigo". Sugiro até que festejem já, que os campeonatos (sobretudo os vencidos pelo SLB) não são como os aniversários: não acontecem todos os anos, nem dá azar comemorar antes.
Hoje venho falar-vos da minha experiência com anti-histamínicos. Mais precisamente com a oxatomida, o princípio activo de uns comprimidos que me deixam absoultamente inactiva, do princípio ao fim. É certo que cumprem a função pela qual recorro a eles: acabar com a alergia. Mas pelo caminho, levam tudo o resto. A insensibilidade no nariz, na boca, nos olhos ou nos ouvidos é tanta que era impossível lá ter qualquer tipo de comichão, ardor ou sensação minimamente humana. Por outro lado, e apesar de não estar descrito nos seus mil efeitos secundários, este tipo de químicos deixa-me num estado ao qual dou o nome de "demasiada autoconsciência". Eu sinto demasiado as partes integrantes do meu corpo. Sinto demasiado que tenho duas pernas, dois braços, uma cabeça (apesar deles, em si mesmos, estarem como já vimos insensíveis). Tenho demasiada noção de que eles lá estão e do quanto pesam. É difícil coordená-los de forma a pegarem em objectos ou subirem escadas (atenção: só solicito o agarrar de objectos aos braços e a subida de escadas às pernas, os efeitos secundários ainda não abrangem esse grau de confusão mental). Por isso o conselho que aqui deixo é: criançada, mantenham-se longe das drogas. E mantenham-se também longe de gatos, animais que podem obrigar-vos, pela sua largada compulsiva de pêlo, a consumir essas tais drogas. E agora vou fechar os olhos e dormir em cima do teclado. Já está.
Agora, e a mando da Direcção Geral de Saúde, todos tratamos as nossas mãos como se fossem alfaces, já se sabe. Não quer isto dizer que as temperemos com azeite e vinagre (embora seja talvez uma hipótese a ter em conta) mas sim que as desinfectamos constantemente com uma espécie de Amukina para humanos. Aqui na casa-de-banho das PF há dois desinfectantes ao serviço dos utilizadores: um deles gaba-se de eliminar 99,9% dos germes, o outro vangloria-se por arrumar com 99,9% das bactérias. Ora a mim parece-me claro que a causa da nossa morte vão ser os 0,01% de micróbios que nem um nem outro conseguem exterminar.
Há quem se mostre muito chocado com esse estranho hábito dos portugueses (ao qual infelizmente nunca tive o privilégio de assistir) de aplaudirem quando um avião aterra (avião dentro do qual eles se deslocam, claro, senão eram ovações constantes ali junto ao Areeiro).
Eu cá compreendo-os muito bem, e vou até mais longe: sinto genuína vontade de abraçar e beijar demoradamente o comandante, no momento da aterragem (depois do avião estar bem parado, claro, não fosse esse ataque causar algum acidente). É que para mim é, e será sempre, um milagre, isto dos seres humanos voarem. E o desconforto vivido durante uma viagem de avião é recompensado no momento em que piso terra firme, e sinto uma alegria de viver que acho que nem no saudoso 3 de Janeiro de 1986 senti (até porque cortarem o cordão umbilical a uma pessoa é sempre coisa desagradável). É por isso que recarrego baterias em todas as viagens que faço. Não interessa os sítios onde vou, até posso fazer apenas Lisboa-Porto, mas se meter check in e check out, e bagagens e sacos de enjoo e, como diziam no último vôo da TAP em que andei "o colete da salvação" (o que dá à coisa um ar católico, e ao mesmo tempo cria em medrosos como eu a certeza de que sim, vamos mesmo morrer, é o dia do juízo final), é suficiente para eu me considerar uma sobrevivente quando saio do avião.
Basta a análise das duas divisões principais das habitações para descobrir o nivel de desenvolvimento dos povos. Falo, evidentemente, da casa-de-banho e da cozinha. E acho que a inexistência de um bidé, numa delas, e a existência massiva de goulash noutra (espero que estejam a fazer as correspondências devidas, e não a imaginar um guisado de porco com muita paprika entre o lavatório e a banheira) é bastante elucidativo quanto à sofisticação destas nações.
Saio de Portugal, Sócrates é primeiro-ministro de Portugal e anda de cadeias às avessas com o Presidente da República.
Volto a Portugal, passados oito dias: Sócrates é primeiro-ministro de Portugal e anda de cadeias às avessas com o Presidente da República.
Têm a certeza que as eleições já foram, ou afinal adiaram-nas por falta de comparência dos eleitores?
A única diferença que notei (além do facto da minha mãe me ter arrumado o quarto, terem sido lançadas Tridente Senses de canela e menta, e os cartazes do Isaltino se terem multiplicado aqui na rua) foi que já ninguém - além dos funcionários da Sic Notícias - se interessa por política outra vez (as cerca de 19 pessoas que antes de dia 27 se diziam interessadas desistiram). Daqui a quatro anos há mais, agora fechamos para balanço, com umas autárquicas pelo meio, que são um belíssimo pretexto para mais uns arraiais fora de época. Os intérpretes de música ligeira agradecem.
Vamos lá ver se nos entendemos... Existe alguém no meu prédio que cozinha bem de mais. Não consegui ainda detectar o andar do culpado, mas sei que o aroma da comida toma a liberdade de vir descendo as escadas e de se espalhar pelo átrio do prédio, todos os dias, sem excepção, quando o ponteiro do relógio se aproxima da mesa do almoço, horário esse que coincide invarivalmente com o momento em que a minha barriga dá horas. E o menu deste excelentíssimo condómino é completo, ainda por cima. Ora tem carne, ora tem peixe, ora tem ovos. Nas últimas semanas, afianço com segurança, passaram por aquela mesa de cozinha (algures entre o 2º e o 6º andar) ervilhas com ovos escalfados, filetes de pescada com arroz de tomate, desfeita de bacalhau com grão, arroz de frango, entre outros.
Ora isto constitui uma grave ameaça à minha disposição, que depois de rodar a chave na porta tenho de me dirigir até à minha cozinha e destapar o tacho onde jaz o bife de frango da véspera, e aqueles legumes congelados do Continente, tão jeitosos. Acredito que a atitude deste vizinho é um problema de saúde pública, porque naqueles 25 segundos que demoro a subir as escadas, fico com uma fome de morte. Quem é que põe cobro a isto? Quem é que oferece a essa família não identificada uma mão cheia de talões da 4salti e da Marco Belini, condenando-os a usarem para sempre o microondas e a deixarem o forno enferrujar? Espero que alguém tenha a bondade de me auxiliar.
O dia da criação (Parte II), por Vinicius de Moraes.
Neste momento há um casamento
Porque hoje é sábado
Hoje há um divórcio e um violamento
Porque hoje é sábado
Há um rico que se mata
Porque hoje é sábado
Há um incesto e uma regata
Porque hoje é sábado
Há um espetáculo de gala
Porque hoje é sábado
Há uma mulher que apanha e cala
Porque hoje é sábado
Há um renovar-se de esperanças
Porque hoje é sábado
Há uma profunda discordância
Porque hoje é sábado
Há um sedutor que tomba morto
Porque hoje é sábado
Há um grande espírito-de-porco
Porque hoje é sábado
Há uma mulher que vira homem
Porque hoje é sábado
Há criançinhas que não comem
Porque hoje é sábado
Há um piquenique de políticos
Porque hoje é sábado
Há um grande acréscimo de sífilis
Porque hoje é sábado
Há um ariano e uma mulata
Porque hoje é sábado
Há uma tensão inusitada
Porque hoje é sábado
Há adolescências seminuas
Porque hoje é sábado
Há um vampiro pelas ruas
Porque hoje é sábado
Há um grande aumento no consumo
Porque hoje é sábado
Há um noivo louco de ciúmes
Porque hoje é sábado
Há um garden-party na cadeia
Porque hoje é sábado
Há uma impassível lua cheia
Porque hoje é sábado
Há damas de todas as classes
Porque hoje é sábado
Umas difíceis, outras fáceis
Porque hoje é sábado
Há um beber e um dar sem conta
Porque hoje é sábado
Há uma infeliz que vai de tonta
Porque hoje é sábado
Há um padre passeando à paisana
Porque hoje é sábado
Há um frenesi de dar banana
Porque hoje é sábado
Há a sensação angustiante
Porque hoje é sábado
De uma mulher dentro de um homem
Porque hoje é sábado
Há uma comemoração fantástica
Porque hoje é sábado
Da primeira cirurgia plástica
Porque hoje é sábado
E dando os trâmites por findos
Porque hoje é sábado
Há a perspectiva do domingo
Porque hoje é sábado.
É genial. E não é por hoje ser sábado. Podia ser até quinta-feira a meio da tarde.
O porta-voz da Federação Internacional de Atletismo diz que os testes de verificação de sexo desta donzela, Semenya Carter, são morosos, dispendiosos, e envolvem muitos especialistas. Nunca pensei que fosse preciso tudo isso para baixar as cuecas a alguém.
Já todos nós falámos, ou ouvimos falar (para aqueles que têm vergonha de admitir que já o fizeram) nessa entidade gastronómica que é o tutti frutti. Falamos de tutti frutti como se fosse uma coisa que nascesse nas árvores. Ora, a utilização deste italianismo só faria sentido se também falássemos em iogurtes de fragole ou gelatina de albicocca. Lá porque o tutti frutti é um amontoado de frutas não me parece que seja menos merecedor de tradução. Não vejo razões para que não se imprimam rótulos em bom português, dizendo "todas as frutas". A segunda opção é utilizar o sinónimo nacional para tutti frutti: um bongo.
PF
por aí