Segunda-feira, 6 de Julho de 2009

Ando mesmo preocupada com a minha televisão e esta coisa de ter encravado em 1993.

O problema nem é o da data. Eu, citando esse grande pensador nacional que é José Carlos Malato, "fui muito feliz" em 93. O problema nem é terem passado dezasseis (!) anos. O grande problema é que não estamos perante "mais do mesmo", mas sim "mais do ainda pior".

O novo Chuva de Estrelas não tem o túnel de fumo, de onde os concorrentes saíam como se tivessem passado 30 segundos no Carnaval de Torres, não tem Catarina Furtado, não tem sequer José Nuno Martins, não tem Fernando Martins (aquele cabeludo fascinante, do júri). Sobrou apenas um Herman José que não usa nem as camisas com lantejoulas nem a graça que punha ao serivço de "Parabéns" em 93.

Os novos Jogos Sem Fronteiras (disfarçados de TGV para dar um ajuda ao Governo e fingir que as obras públicas estão bem e recomendam-se) não têm Eládio Clímaco e a sua forma única de bater palmas, não têm equipas de Moura nem da Figueira da Foz, não têm Joker.

As doses maciças de Isto Só Vídeo que passam todos os dias não têm Virgílio Castelo. Continuam a ter cães a saltar e bébés a caír, é certo, mas sem a mestria com que o faziam nos anos 90. As criancinhas que chocavam contra portas de vidro há uns anos tinham muito mais elegência do que estas de agora. E eu com sete anos tinha muito mais desculpa para rir de noivas que espetavam a cara nos bolos de casamento.

A nova Praça Pública não tem Júlia Pinheiro nem emoção (normalmente são dois factores que andam de mãos dadas, talvez pela entoação do discurso da senhora), o novo Minas & Armadilhas não tem o tom cavernoso de Júlio César nem o charme da Belle Dominique, o novo Furor tem uma Catarina Furtado sem a energia do Chuva de Estrelas, e tem uma forte componente de responsabilidade social: há que dar emprego àquela gente toda que concorreu à Operação Triunfo achando que ia ter uma carreira internacional (e vendo bem, até têm, que os emigrantes adoram estes programas).

E podia continuar. Dá-se o caso de ter de ir trabalhar. Mas a seriedade deste assunto leva-me a crer que voltarei a ele brevemente.

Agora vou só ali enviar um telex (como se fazia à época) ao Nuno Santos, exigindo um remake d'O Juíz Decide e daquele programa espectacular em que o José Figueiras interrompia uma novela brasileira a meio para nos dar a oportunidade de escolher que final queríamos. Se é para voltar atrás, que seja em estilo.



escrito por Joan@ às 11:35
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2 comentários:
De Buh a 6 de Julho de 2009 às 20:35
O Furor era da Bárbara Guimarães =P


De Joan@ a 7 de Julho de 2009 às 08:48
Eu sei que era, mas o novo é da Catarina Furtado.


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