Domingo, 27 de Junho de 2010

Ver Gladiadores Americanos na televisão é voltar a ter sete anos.

Voltar a sentir a imensa felicidade que era ficar doente, não poder ir às aulas, e passar o dia a ver este maravilhoso clássico que, metendo também gente em tanguinha fazendo provas parvas, dá uma lição de boa televisão a qualquer "Salve-se quem puder". É que uma coisa é ser parvo e boçal, como sucede nessa coisa do "soltem a parede", outra é ser parvo e sofisticado, como sempre sucedeu no espectacular Jogos Sem Fronteiras ou, num género mais exótico, nos Gladiadores Americanos. Há muita dignidade em escalar uma parede com uma monstruosa lutadora de wrestling a correr atrás de nós. Ou talvez não... Mas eu gosto. Já para não falar da enorme expectativa que causa a prova final - The Eliminator! Isto é muito melhor que assistir aos oitavos de final do Mundial.



escrito por Joan@ às 10:49
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Sábado, 26 de Junho de 2010

Acredito, do "alto" dos meus 1,53m, que quando nos deparamos com coisas demasiado grandes precisamos de nos afastar para as ver na totalidade. É assim com os arranha-céus de Manhattan. É assim com férias que duram mais que os três ou quatro dias do costume. É assim com um povo cujas doses são todas a dobrar, todas extra, todas delight, todas intense, todas qualquer-adjectivo-que-faz-com-que-o-comprador-obeso-salive-e-queira-adquiri-las-custe-o-que-custar.

Pois é. Voltei dos EUA há uns bons quinze dias e acho que só agora é que começo a lembrar-me de como aquilo é.

Desde a simpatia geral exagerada, num misto de Barbie e pessoa que consumiu muita droga, em Orlando, até às imagens quase psicadélicas de Times Square: nunca pensei que estar num gigantesco intervalo publicitário pudesse ser agradável. Sem esquecer a sobriedade da "New England" em Boston, com as suas universidades intermináveis que dão vontade de mudar o nome da nossa Cidade Universitária para Aldeia Rural Universitária. Entrar nos Estados Unidos pela porta da Disney é muito esclarecedor. Depois de ver famílias americanas a comer batatas fritas e pizza às oito da manhã, percebe-se muito daquele mundo. Por outro lado, o entusiasmo deles com tudo o que mexe, seja alguém vestido de Pato Donald ou uma montanha russa, leva-nos a crer que isto de ser infantilóide toda a vida pode ter o seu lado bom. Pareceram-me felizes debaixo da ignorância de quem pensa que "a Europa" é um país. Se calhar eles é que sabem! Podem não passar dos 35, com um ataque de colesterol, mas pelo menos são 35 anos bem passados... (ou "well done", como eles dizem, e de preferência com ketchup, maionese e molho barbecue). Em Boston vemos que afinal há esperança para o segmento de humanidade que nasceu americano. Se bem que lá apanhei a comemoração do "Dia Nacional do Donut", imagine-se. Ainda assim, lá já existe história para além da invenção de um bolo frito com buraco no meio. Afinal de contas, é o sítio onde se deu a Tea Party. E cheira-me que desde essa altura, em 1773, que nunca mais se bebeu nada tão saudável como chá naquela terra. Agora é so capuccinos com natas e chocolate e topping de caramelo e manteiga de amendoim. Além do mais, sempre sonhei ir ao estado que mais dificuldades de dicção coloca a quem usa aparelho nos dentes: Massachusetts!

Depois, e para não dizermos sempre que Portugal é que é um país atrasado, e que "estas coisas não se passam lá fora", passei precisamente oito horas dentro dum comboio avariado, cujo percurso até NY devia demorar apenas 3h. E garanto que gente entediada dentro dum comboio sem ar condicionado é igual em qualquer parte do mundo. Depois disto, foi tudo. China Town, Soho, Union Square, Central Park, Brooklyn Bridge, Wall Street, um outlet que me deixou à beira da falência, tipo vítima do Madoff, Madison Square, Pier 17, Empire State, 5th Avenue, todos os sítios que já vimos antes, e que apesar de tão distantes nos parecem tão familiares. Estão dentro dos filmes, das séries, dos livros. Mas também estão lá. Afinal existem. Podem ir à confiança. E podem voltar, que também é bom, ao fim de uns quantos dias, regressar a um país que mesmo terceiro mundista, já descobriu a sopa de legumes e não tem tempestades tropicais debaixo de 35 graus.



escrito por Joan@ às 12:14
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"Ele tem assim um ar tão sereno...", diz a personagem de Cláudia Semedo, na novela "Jura", sobre um paciente que está em coma.

Só por isto valeu a pena andar a deitar-me ligeiramente mais tarde esta semana.



escrito por Joan@ às 11:46
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Quarta-feira, 23 de Junho de 2010

Aqui fica a crónica que escrevi para a revista The Place, disponível aqui e em todos os clubes Holmes Place por esse país fora.

Leiam-na vocês porque os sócios do ginásio já sabemos que não são muito dados a volumes com mais de sete caracteres.

 

BATIMENTOS POR MINUTO

 

O bolo alimentar da massa adepta

 

“A satisfação está no esforço e não apenas na realização final”, dizia Gandhi (calma, não párem já de ler, há uma razão válida para ter começado com esta citação). Por aqui bem se vê que Gandhi nunca trocou as suas sandálias por uns ténis para ir ao ginásio. Conhecemo-lo como pacifista, o que não é mais que um eufemismo para preguiçoso. O que dizer duma pessoa que passa o dia enrolada num lençol? Se alguma vez tivesse tentado fazer uma aula de step, Gandhi retirava o que disse. Durante o esforço não há satisfação alguma. Há sofrimento sob a forma de suor, apenas. Admiro a perseverança dos atletas de alta competição. E confesso até me identifico com um deles: Marco Fortes, autor da frase “de manhã só é bom é na caminha”. Concordo com ele sempre que o despertador me obriga a ir para o RPM às 7 da manhã. A verdade é que o atletismo não seduz os portugueses. Estranhamos que alguém corra sem ter à sua frente uma bola. O andebol idem. Faz-nos confusão que as pessoas possam agarrar a bola com a mão sem que se clame por falta. No rugby chocamo-nos com tanta violência dentro do campo e não fora. Do golf talvez venhamos a gostar um dia, quando houver adeptos a arremessar bolas de futebol para dentro do green. Em Portugal só há lugar para o futebol e seus derivados: o futsal, equivalente futebolístico das danças de salão (infelizmente sem a parte da indumentária, era espectacular ver Ricardinho envolto em folhos), o futebol de praia e os desafios solteiros vs. casados. Já pararam para pensar o que mais nos fascina no futebol? Estou em condições de adiantar que é a comida. Não há desporto que faça mais pelo bolo alimentar do que o futebol. É uma actividade que vai bem com tudo. Uma febra não cai tão bem se estivermos a assistir a uma emocionante final de bilhar e os tremoços podem resultar em indigestão enquanto vemos natação sincronizada. Daí que não demos grande valor ao alpinismo – um desporto em que a única comida possível tem de ser liofilizada e desidratada. De que vale chegar ao pico do Annapurna se não se pode comemorar com um Bacalhau à Gomes de Sá? Sinceramente ainda não percebi se o contentamento de João Garcia se deve a escalar as mais altas montanhas ou ao facto de o conseguir sem perder mais nenhum membro. É que consta que já o apelidam de Michael Jackson dos Himalaias. No futebol, Taça de Portugal é sinónimo de sardinhada e apoiar a selecção nacional é o pretexto ideal para um mega piquenique. A juntar a isto, um dos grandes patrocinadores do Mundial é uma cadeia de fast food, que na sua campanha lança a pergunta: “ Que tal ires ao Mac e acabares na África do Sul?” Eu acho péssimo, parece-me sinal de rapto para extracção de órgãos.

 

(Nota: na mesma revista há ainda lugar para uma crónica da ilustre Susana Romana, com ilustrações do não menos ilustre Ricardo Galvão)

 



escrito por Joan@ às 01:11
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