Quinta-feira, 16 de Setembro de 2010

Quero renegociar o meu contrato com o Universo. Em 1986, quando fechámos negócio, eu ainda era inexperiente nessas coisas dos contratos vitalícios. Passados 24 anos de (alguma) reflexão queria saber se é possível rever os seguintes pontos:

 

- dores mestruais: aboli-las, por favor.

- fins-de-semana: passam a ter início à quinta-feira e fim à terça.

- sushi: passa a ser de acesso gratuito para todos os cidadãos de nacionalidade portuguesa (estou com o Sarkozy: os romenos dos semáforos terão acesso apenas a tempura de gambas, nada de crus).

- finanças, lojas do cidadão, segurança social: aboli-las também. enviá-las para o mesmo sítio onde jazem as dores menstruais, que por essa altura terão de preencher 209 declarações, anexos e fichas para se legalizarem, e pagarem impostos avultados por cada ovário que atormentaram.

- teletransporte: agilizar a sua invenção. tanto para pequenas deslocações (aposto que inventar uma máquina que nos transporte de oeiras para lisboa sai mais barato que manter os milhões de parquímetros da EMEL), como para longas distâncias. nota importante: antes do teletransporte não é necessário passar por detectores de metais, nem deitar fora garrafas de água, nem pesar as malas.

 

de momento é tudo, quando for necessário volto a contactar.

 

 


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escrito por Joan@ às 11:50
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Aqui fica mais uma crónica que escrevi para a revista do The Place, do Holmes Place.

 

Desporto rei ou novela rainha?

 

Ainda há quem revele incontido espanto quando dá de caras com uma mulher que gosta de futebol. Não percebo... O motivo pelo qual mulher que se preze aprecia futebol é nítido, e não tem nada a ver com a velha história de 22 homens de calções (sem contar com os árbitros, que são cada vez mais mas continuam a ter as piores pernas). O fascínio das mulheres por futebol resume-se a uma palavra: telenovela. Nada se aproxima mais de uma novela do que o futebol. É uma sucessão imparável de episódios, mais duradoura que o Anjo Selvagem e com o atractivo de não termos de levar com a Paula Neves. Os ingredientes estão todos lá: escândalo (a dúvida “mão na bola ou bola na mão?” está quase a destronar “o ovo ou a galinha?” no topo das questões existências), traição (John Terry é amante das mulheres dos colegas), rivalidade entre famílias poderosas (Moutinho, o Romeu da família Montequio, vulgo Sporting, é adoptado pela família Capuleto, vulgo Porto, que dá para troca Nuno André Coelho, nitidamente uma Julieta do futebol nacional), mistérios insondáveis (Ronaldo consegue desencantar um filho logo a seguir ao desastroso mundial, como se se tratasse dum daqueles saltos nas novelas, em que aparece uma legenda a dizer “nove meses depois”), grandes zaragatas – o termo técnico é mesmo este (Sá Pinto dá uma óptima Marina Mota do futebol, e nem precisa de gritar tanto), casos de polícia (os franceses Benzema e Ribéry perceberam agora que Thierry Henry ter posto a mão na bola nem foi assim tão grave, pôr a mão numa prostituta menor consegue ser pior) e grandes paixões (o que dizer do abraço de Mourinho e Materazzi na despedida do Inter? Aquilo era amor, não era um “choro técnico”).

Na Maria encontramos o resumo das novelas, coisas como “Rómulo beija Cassandra”, n’A Bola temos informações imprescindíveis como “Nani magoa clavícula” ou “Deco critica Queiroz”. A novela do futebol tem a vantagem de nunca parar. Nem nos meses de Verão, em que a imprensa se transforma num gigantesco “cenas dos próximos episódios”, inventando contratações milionárias para vários clubes e relatando outras, que apesar de verdadeiras, parecem invenção, como Maniche no Sporting ou o guarda-redes mais caro e mais falível do Universo no Benfica, quando tinham o Eduardo a preço de saldo (é o equivalente a casar com a irmã rica e má em vez da pobrezinha que está tão apaixonada). Se até isso falhar, podemos sempre acompanhar as férias dos craques, em Albufeira. Por muito que ganhem, eles não abdicam de passar Julho no cenário dos “Morangos com Açúcar de Verão”. No futebol como nas novelas, há os eternos figurantes, aqueles que nunca passam do banco ou do papel de mordomo, os Zés Castros deste mundo, e há as divas, claro: dum lado Alexandra Lencastre de relação em relação, do outro Abel Xavier de conversão em conversão. E mais uma vez o futebol sai a ganhar, porque só Faisal tem mais variedade de guarda-roupa que um elenco da TVI inteiro.

No meio disto, eu estranho é que os homens ainda gostem de futebol. Nota-se que estão cada vez mais metrossexuais: depois dos vinte cremes para corpo, rosto e mãos, é a paciência que demonstram para acompanhar esta “Tieta do Agreste” versão alta competição.

 



escrito por Joan@ às 10:27
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