Quinta-feira, 28 de Abril de 2011

Quando estamos doentes, por mais insignificante que seja a doença (e felizmente não sou diplomada para falar de doenças sérias e graves, e espero nunca conseguir tirar essa pós-graduação), de repente as coisas mais enfadonhas do mundo tornam-se nos nossos desejos mais profundos. Noutro dia, a caminho duma consulta, olhava pela janela e tinha inveja genuína de todas as coisas absolutamente banais que as pessoas faziam na rua. De repente levar o carro à revisão pareceu-me um programa espectacular (mesmo que fosse diagnosticada uma doença gravíssima ao meu automóvel, antes ele que eu), estar na mercearia a escolher as melhores pêras rocha, ou até mesmo trabalhar na própria mercearia (tendo 80 anos e escassez de dentes, como a senhora), conduzir um táxi (e ter bigode), acartar com bilhas de gás às costas ou distribuir a Dica da Semana, tudo isso me pareciam alternativas espectaculares. Todas aquelas vidas me pareciam muito melhores que a minha, naquele dia, àquela hora. Felizmente estava sem tempo para trocar de personalidade com aquelas pessoas. Foi o melhor que fiz, porque agora que termina (acho eu) o calvário de exames e de ingestão de sopa de cenoura e frutinha cozida, parecia-me pouco razoável a troca (se bem que a distribuição da Dica da Semana ainda faz o meu coração balançar... é que parecendo que não, é uma profissão que permite conhecer os cozinhados do chefe Hernani Ermida antes de toda a gente, e saber se nessa semana o Lidl tem máquinas de pão em promoção). A conclusão a tirar disto (além de que ingestão de pêras cozidas a longo prazo pode provocar delírio),  é que quando estamos saudáveis sonhamos alcançar as coisas mais absurdas: conseguir os mínimos para os jogos olímpicos de Londres, passar um mês nas Bahamas, ganhar o Euromilhões, ir jantar ao melhor restaurante do mundo... Ao mínimo sinal de doença, tudo aquilo a que aspiramos é banal, e de repente uma tosta mista afigura-se-nos como o único prato gourmet da humanidade. 

 


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escrito por Joan@ às 16:38
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Segunda-feira, 4 de Abril de 2011

Eu nunca soube perder, e ainda hoje continuo a não ser grande coisa nessa matéria, admito.

Nos serões familiares jogávamos Trivial Pursuit e eu, apesar de ser a mais nova de todos e não ter qualquer hipótese, acreditava sempre piamente que ia ganhar, e ficava enfurecida quando isso não acontecia. Invariavelmente deitava o tabuleiro ao chão como quem não quer a coisa, e a história costumava acabar com um açoite ou um castigo. Serões divertidos, portanto.

As coisas não mudaram assim tanto desde então. Basta recuar até ao Verão passado para recordar jogos de ténis ou de bowling, nos quais eu, ao fim de poucos minutos, e com a derrota mais que assegurada, começava a jogar com displicência e sem vontade, tentanto que os desafios fossem cancelados por falta de (minha) comparência.

Por todos estes motivos penso sempre duas vezes antes de criticar quem não sabe perder. Não tenho grande moral para apontar o dedo aos jogadores que agridem adversários e levam vermelhos directos. Se eu jogasse futebol era certamente esse jogador. Duvido que aguentasse mais de dois/três minutos em campo num derby.

Provavelmente o tal "electricista" da Luz sofre do mesmo problema que eu. Temos de dar o devido desconto. Afinal de contas é só mais um caso de erro de casting no Benfica. A pessoa errada na função errada. Espero pelo menos que o electricista tenha sido mais baratinho que o guarda-redes.

Continuo a ter pouco jeito para perder e o futebol não me tem dado grandes hipóteses de aprender, devia ter escolhido um clube que perdesse mais frequentemente! Ainda assim continuo a sentir a mesma inveja que sentia na escola, quando via meninos (e meninas) que apesar de perderem os jogos saíam de campo alegremente, como se nada fosse, enquanto eu pegava na lancheira, entrava no carro do meu pai e tinha vontade de lhe pedir para parar rapidamente numa bomba de gasolina. Para comprar sugus? Não. Para partir aquilo tudo. Já me estou a ver, de bibe e panamá na cabeça, a pontapear quem se pusesse à minha frente...

Saber ganhar é mil vezes mais fácil do que saber perder, não há dúvida. Por isso deixo hoje aqui a minha solidariedade para os benfiquistas mais ferrenhos de que há memória: grande abraço para os redactores d'A Bola. Amanhã já podem voltar a fazer capas com Jorge Jesus vestido de Schwarzenegger e essas coisas giras, e esquecemos todos que isto se passou. Volta tudo à normalidade.

 


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escrito por Joan@ às 11:44
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Sexta-feira, 1 de Abril de 2011

Este título parece uma manchete de dia das mentiras, ou simplesmente uma manchete de Inimigo Público num dia normal. Realmente parece absurdo que as PF se tornem responsáveis. Mas isso acontece apenas se associarmos maioridade coisas como seriedade, juízo ou tino (palavra que muito aprecio, porque apesar de se referir a prudência me lembra sempre o Tino de Rans). Mas a verdade é que eu também já ultrapassei os míticos 18 anos (embora não pareça e os porteiros de estabelecimentos nocturnos nunca acreditem sem provas documentais) e nunca cheguei a transformar-me na pessoa adulta (a.k.a. enfadonha) que os 18 anos prometiam. Acredito que o mesmo vá suceder com as PF. É que se a maioria das pessoas diz que tem "uma criança dentro de si", nós fazemos questão de botar essa criança cá para fora. Sem que isso constitua interrupção voluntária da gravidez, atenção. Se ser infantil é conservar a capacidade de brincar com tudo e ter aquela particularidade tão desconcertante de dizer as verdades inconvenientes, então as PF são e serão infantis por muito tempo. Eu sou, com "eles" (e estes "eles" já são tantas pessoas!) há mais de quatro anos, e mais recentemente com o Canal Q, há exactamente um ano. Deixo-vos aqui um exemplo do que é o espírito das PF 18 anos depois, do Q um ano depois, e meu, 25 anos depois. "Solta a franga e vem com a gente!".

 

 

 

 

 


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escrito por Joan@ às 09:27
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