Domingo, 2 de Janeiro de 2011

31 de Dezembro de 2010:

 

Já não me lembrava de ter uma gripe assim. Daquelas com tudo a que se tem direito: febre a sério (para mim, que tenho como temperatura habitual 35º, ou seja, passo grande parte da vida com temperatura de cadáver e aproximo-me perigosamente da morte quando aqueço um bocadinho), calor, arrepios, transpiração digna de Carnaval da Bahia, frio, dores na parte da frente da cabeça, na parte de trás da cabeça, e naquela parte que eu não sabia que tinha na cabeça (dito assim subitamente parece que estou a referir-me a cornos, mas vou deixar estar e resistir ao impulso de apagar), dores na garganta, nos ouvidos, nos dentes e no maxilar (sim, vá-se lá saber porquê), dores nos ossos dos pés como se tivesse acabado de entrar no mar da Ericeira (como se pertencesse àquele grupo de idosos dementes que dão mergulhos no Ano Novo), aquela sensação incomparável de ter levado com uma moca de madeira de um qualquer Flinstone em cheio no pescoço.

 

1 de Janeiro de 2011:

 

Acordei às 8 da manhã para me encher de mais uma dose de estupefacientes, e qual não é o meu espanto quando me sinto deslizar até à cozinha, como quem participa no mais recente videoclip do Usher (não teve assim tanto estilo, até porque estava com um pijama do Snoopy, mas o que importa reter é que o andar já não era entorpecido e mole). Recorri aquela medição absolutamente rigorosa que passa por enfiar um bocado de mercúrio debaixo da axila e descobri que já não tinha febre. Ainda estava nuns elevadíssimos 36 graus e tal, o que fazia do meu organismo uma espécie de Albufeira em Agosto, mas já estava a voltar ao normal.

 

Posto isto, a tosse cá continua, restos doutros sintomas também, mas febre nem vê-a. Já tive febres mais altas mas esta foi a campeã, indiscutível, em termos de qualidade/tempo. Conseguiu fazer grandes estragos em pouco mais de 24 horas e depois, tal como apareceu, desapareceu. E a questão que fica no ar é: "porquê"? Ou, para os mais dramáticos (ajoelhando-se e erguendo mãos para o céu) "porquê meu Deus, porquê logo no último dia do ano!?". Avento já varias hipóteses:

a) Tratou-se apenas e só de greve geral do meu organismo ao reveillon. E o que é certo é que pela primeira vez em 24 anos me livrei das passas...

b) Foi o Universo a dizer "ficas em casa a ver a Casa dos Segredos, que depois de 3 meses como mais fiel espectadora, era o que faltava não apoiares a Ana Isabel na final". (Agora fiquei na dúvida se terá sido o Universo ou "A Voz").

c) Foi Deus (há uma música assim, não é?) a evitar que eu tenha saudades de 2010 e a mostrar que a Maya tem razão quando diz que os capricórnios serão saudáveis em 2011 (sim, Deus lê o Tarot da Maya, é só por isso que ele compra o Público ao Domingo).

d) Foi a minha mãe (as mães têm formas misteriosas de nos adoecer, nem sempre recorrendo a veneno na sopa), com medo que eu me embebedasse na passagem de ano e, à beira dos 25 anos, iniciasse uma carreira no alcoolismo que acabaria por ser fatal e deixar toda a família inconsolável.

e) Foi a única maneira de eu ter finalmente um fim de ano memorável, depois de ter tentado ser feliz em Santa Cruz, em Trinidad e Tobago, na Ericeira, no Vimeiro, no Casino da Póvoa, no Restelo, numa festa de travestis, na Bahia, no Terreiro do Paço e na Nicarágua (alguns destes destinos podem não corresponder inteiramente à verdade).

f) Foi azar, a 31, e sorte, a 1. Mau fim, bom início. Antes assim.

 

Venham de lá os outros 364 dias.



escrito por Joan@ às 16:39
dizer coisas | partilhar

Quinta-feira, 30 de Dezembro de 2010

Não sou muito dada a balanços, primeiro porque não tenho jeito nenhum para dançar, e segundo porque a verdade é que os grandes acontecimentos nunca me marcam por aí além. Nem as cinzas vulcânicas, nem as cheias na Madeira, nem as escutas, nem o casamento gay, nem o Papa no Terreiro do Paço, muito menos a Lady Gaga no Pavilhão Atlântico ou a Espanha na África do Sul (dito assim parece uma incongruência geográfica!). Em nada a minha vida mudou por acompanhar o drama dos mineiros do Chile (até porque já tinha como constante "mental note" colada no cérebro "não enveredar por grutas escuras"), em nada alterei o meu roteiro por causa da Cimeira da Nato (enquanto Obama não quiser reunir no eixo Linda-a-Velha/Amoreiras está tudo sob controlo). Acho mesmo que o único acontecimento do ano que posso partilhar com (alguns) dos comuns mortais deve ser o 5 a 0 do Porto ao Benfica. Ainda assim, as figuras do ano estão longe de ser o Villas Boas, ou o Hulk, ou o Jorge Jesus, ou o Mark Zuckerberg ou o Julian Assange. As figuras do ano são as que vão comigo ao sushi sexta-feira sim sexta-feira sim, as que mandam mensagens, as que se sentam ao meu lado no cinema e felizmente não comem pipocas, as que me servem o almoço todos os domingos, as que partilham comigo (sem modos nenhuns!) o open space, as que estão presas no Facebook apenas porque nunca há tempo para o "tal café" que anda a ser combinado há quinze meses (será em 2011?)...

Seguindo este ângulo desavergonhadamente egocêntrico, para mim os acontecimentos do ano foram: (e não façam esse ar de "o que é que isso interessa?" porque na verdade também não vos interessa assim tanto a devastação no Haiti... aposto que já nem se lembravam...)

 

- Ter ajudado a erguer (pelo menos até ao nono andar) o Canal Q!

- Ter trabalhado com Herman José (o mesmo que um futebolista poder trabalhar com José Mourinho ou São Pedro poder trabalhar com Deus).

- Ter ido finalmente aos Estados Unidos, conhecer 3 cidades e ficar com vontade de conhecer mais umas 18.

- Ter-me convertido ao Mac (não aos hamburguers, calma! Apenas à maquineta). Mas não me converti ao ponto de jurar, como uns e outros, que eles nunca crasham. Não, que ideia...

- Ter visto a minha avó partir a pena e voltar a andar airosamente mais rápido que um Obikwelu (e sem recurso a doping!)

- Ter passado dois dias no Hotel Ritz a brincar aos ricos e/ou poderosos.

- Ter descoberto que afinal consigo correr! Começou em 5 minutos, já vai numa hora. Qualquer dia sou o Forrest Gump do concelho de Oeiras. Só me apanham em São Pedro do Estoril...

- Ter chegado até ao Mia Couto (sim, para mim ele é a revelação do ano, tipo Fábio Coentrão dos livros, apesar de já ter uma carreira mais longa que o Paulo Futre), ver chegar até mim o The Biggest Loser e uma Modern Family, ver uma das melhores histórias do ano disfarçada de desenho animado, no Toy Story 3.

- Ter comido o melhor sushi, senão do Mundo, pelo menos de Lisboa, ou ali do eixo Belém/Ajuda. O melhor e não se fala mais nisso.

- Ter descoberto, depois de uma busca mais exaustiva que a dos leitores do Onde Está o Wally?, a casa ideal!

- Ter cumprido mais de metade das resoluções para 2010... O que me deixa já meio trabalho adiantado para as resoluções 2011. E como a preguiça nunca muda de ano para ano, isto é um óptimo começo.



escrito por Joan@ às 20:44
dizer coisas | partilhar


contacto
joanabm@gmail.com
monstro's book
o chefe recomenda...
já moles...
2013:

 J F M A M J J A S O N D


2012:

 J F M A M J J A S O N D


2011:

 J F M A M J J A S O N D


2010:

 J F M A M J J A S O N D


2009:

 J F M A M J J A S O N D


2008:

 J F M A M J J A S O N D


2007:

 J F M A M J J A S O N D


2006:

 J F M A M J J A S O N D


2005:

 J F M A M J J A S O N D


2004:

 J F M A M J J A S O N D


acabados de fazer...

A Febre da Década

Balancê

tags

todas as tags

subscrever feeds