Sexta-feira, 8 de Maio de 2009

A primeira coisa que destaco na notícia sobre as posições a favor e contra as touradas, no Público, é o facto do Presidente da Câmara de Viana do Castelo se chamar Defensor de Moura (espero que o primeiro nome seja Apologista).

Quanto ao resto, sublinho uma vez mais os argumentos brilhantes dos aficionados, que me fazem lembrar um saudoso (e acalorado) Prós e Contras em que Gonçalo da Câmara Pereira comparou as touradas de morte às viagens que fazemos na auto-estrada, matando muitos mosquitos, cujas carcaças ficam no vidro do nosso carro. Desta vez o prémio vai para Afonso Gonçalves Ferreira - seja lá quem for - que diz que proibir uma tradição como a festa brava "é o mesmo que proibir o fandango ou o vira do Minho". Pois claro que é! Até porque tanto os campinos das lezírias como as minhotas fazem questão de agredir qualquer espécie animal durante a sua coreografia. Não são muito exigentes, qualquer coisa serve. É ver minhotas a usar os seus pesados colares de ouro para chicotear chinchilas! Parecidíssimo com uma tourada, lá está.

Paulo Caetano, por seu turno, recorre a um argumento mais clássico, que é o facto dos manifestantes não reclamarem com os restaurantes que servem carne e peixe. Eu não sei que estabelecimentos frequenta o Paulo, mas naqueles em que eu normalmente janto, quando escolho "dourada na grelha" não surge, como que por magia, um palco, cheio de cor, luz e som, em que o peixe é lentamente escalado e regado com limão, enquanto os convivas do restaurante aplaudem. Também já almocei, inclusivamente, com indivíduos que pedem bifes mal passados, e nunca sucedeu trazerem a vaca para o centro da sala, para cortarem um naco de alcatra, enquanto gritávamos "bravo, bravo", e lançávamos flores para junto do empregado de mesa.

Para acabar em beleza, deixo-vos o testemunho comovente do veterinário e crítico de touros (polivalência acima de tudo) Domingos da Costa Xavier. Conta ele: "Já lá vão muitos anos convenci, em Évora, um jovem estudante a ir para o centro do redondel. Ele foi e, passados uns minutos, já estava sem dentes. Muitos anos depois, numa outra cidade, um indivíduo veio ter comigo, perguntou-me se não me lembrava dele. Então ele esticou a mão e disse: 'Sou o Dantas e quero agradecer-lhe, pois por causa de si é que hoje sou aficionado'. Era o mesmo jovem que muitos anos antes eu incitara a saltar para a arena e que acabou por ficar sem dentes".

Fica assim provado que, enquanto houver Dantas, existirão touradas em Portugal. Porque o género de pessoa que agradece ter ficado sem dentes (sem estar a dirigir-se ao dentista que lhe arrancou os sisos que tantos tormentos lhe davam) vibrará sempre com a bela "festa brava".



escrito por Joan@ às 14:39
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Segunda-feira, 28 de Maio de 2007
Andam tão preocupados com os sites de pornografia infantil... circulam petições online e tudo (tal como circularam já a propósito da extinção do lince da malcata ou dos rótulos dos limpa vidros), quando existe um flagelo bem mais preocupante à solta na net. O CAPI - Clube dos Amigos dos Porquinhos da Índia. Sim, à primeira vista ainda disfarçam. A velha história do "somos só bons amigos", ou quem sabe amigos coloridos, com manchas castanhas e brancas... Mas o pior vem depois: "O Clube pretende ser um ponto de encontro entre todos os amantes dos Porquinhos-da-Índia em Portugal". Atenção, muita atenção: os porquinhos portugueses têm amantes. Se calhar há muito boa gente por aí que anda a ser traída por um porco da índia (até aqui achava-se que era só pela porca do r/c frente). E continuam: uma comunidade onde poderá encontrar informações, partilhar experiências, pedir ajuda (...) para um relacionamento feliz. Já estou a imaginar, uma data de amantes de porquinhos, sentados num círculo a partilhar as suas dificuldades de relacionamento e de gestão de laços afectivos com aquela espécie de hamster que dorme a seu lado.


escrito por Joan@ às 07:17
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