Segunda-feira, 1 de Fevereiro de 2010

Tem-me escrito muito, ultimamente, o Rogério.

É simpático. Trata-me com cordialidade, começa sempre com um respeitoso "Vossa Excelência", distinção que nos faz sentir especiais, e despede-se com os seus melhores cumprimentos, o que, por seu turno, nos faz sentir queridos, e nos dá vontade de convidar o Rogério para vir ao almoço familiar de domingo, e pedir à nossa avó que faça o seu melhor empadão porque o Rogério decerto apreciará.

O Rogério nunca envia uma simples carta, ele "junto envia" sempre qualquer coisa, como se de um presente se tratasse. Um autêntico brinde do bolo rei, como se ainda estivéssemos nos anos A.A (antes da ASAE).

O Rogério arranja tempo, na sua conturbada vida de administrador da EMEL, para escrever carinhosas missivas para os vários cidadãos do país. E assina aquilo que diz, porque é um homem de palavra. Ok, só assina uma vez, as restantes são fotocopiadas, mas não deixa de ter valor por causa disso.

Quero agradecer ao Rogério o facto de ter enchido, como nunca, a minha caixa de correio. Numa época de mails e SMS, faz falta quem perpetue a tradição do correio tradicional. Deixo apenas uma questão ao Rogério: porque raio é que estacionar em zona de estacionamento de duração limitada sem efectuar o respectivo pagamento dá direito a uma coima de 30 euros, e estacionar entre placas de paragem proibida sai bem mais barato (uns míseros 19 euros)?

Afinal de contas, Rogério, o que é mais grave? Não dar o dízimo à EMEL, com a respectiva vénia de adoração, enquanto se retira o ticket, ou estacionar num sítio onde a lei manda que não se páre sequer?

Veja lá isso, Rogério. Em nome dum bom empadão de carne, com chouriço por cima.

E continue a mandar postais. Gosto muito de o ler.


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escrito por Joan@ às 12:12
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Quarta-feira, 27 de Maio de 2009

Ontem quase atropelei cinco bombeiros, com fardas reflectoras, em cima de uma passagem de peões. Parece-me que não podia haver acidente nenhum com menos atenuantes do que este. Eram soldados da paz, estavam bem visíveis e numa passadeira. Mas é aqui que entra um pequeno pormenor que há já muito me atormenta. Uma teoria que comprovo dia após dia. Existe em Portugal uma percentagem muito maior de malta com tendências suicidas do que num campo de treino no Afeganistão. É vê-los atirarem-se para as passadeiras sem aviso prévio, como quem carrega no botãozinho que acciona o cinto de explosivos. As pessoas acham que o facto de estarem a andar serenamente no passeio paralelo à estrada legitima que se atirem para o asfalto, numa arrancada mais rápida que as do Obikwelu. É uma espécie de performance. Os peões encarnam (na perfeição) o papel de "individúo-desinteressado-de-mãos-nos-bolsos-que-não-deseja-especialmente-passar-para-o-outro-lado-da-rua" e, de um momento para o outro, aí vão eles!

Sempre serve para testar os reflexos dos condutores. Obrigada. Prefiro este exame do que aquele em que o médico nos dá com um martelo no joelho.


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escrito por Joan@ às 15:09
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Sexta-feira, 6 de Março de 2009

Esta é uma mensagem (sentida) para aquelas pessoas que, no meio do trânsito mais caótico da hora de ponta ou da rua mais sossegada no fim-de-semana, nós deixamos passar. Paramos para que suas excelências passem, mesmo sem terem prioridade, mesmo sem virem da direita, mesmo sem terem feito sinal. E elas, o que fazem? Seguem indiferentes como se não tivessemos feito mais que a nossa obrigação, como se tivessemos vindo ao Mundo com o único (e nobre) propósito de os servir. De os deixar passar à nossa frente naquela faixa, de os deixar entrar naquela rua, de aguardar que eles tirem o carro do estacionamento. Escusam de dizer obrigada, sim! Fazer um ligeiro aceno com a mão em sinal de agradecimento? Para quê? Iam dispender uma quantidade de energia que podia fazer-vos falta mais tarde, quando estiverem à mesa com a vossa família e não agradecerem a quem vos passou o cesto do pão ou quando pisarem propositadamente a velhinha que segurou a porta da farmácia para vocês entrarem.


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escrito por Joan@ às 12:57
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Quinta-feira, 1 de Janeiro de 2009

É bom saber que os anos passam e há coisas que nunca mudam.

A começar por nós próprios.

 

A primeira missão de 2009 era, aparentemente, simples. Ir até à Sé de Lisboa.

Explicaram-me como era, e eu confirmei no Google Maps. Mas já me conheço. E sei que de ontem à noite para hoje não mudei assim tanto (as passas ainda não têm esse poder, o champanhe com qualidade, talvez, mas o nosso era espumante Raposeira). Por isso resolvi pedir emprestado o GPS do meu pai.

Programei-o para o Largo da Sé, estava tudo bem. No fim da minha rua percebi que não o tinha colocado numa posição muito boa e que não se ouvia bem o som. Pára tudo. Lá mexi nele, ele ainda me perguntou se queria ir para o "destino mais recente, Monte Gordo", e eu disse-lhe que não. Seguimos viagem (eu e ele). O que eu não sabia é que iamos para sítios diferentes. Comecei logo a estranhar quando me mandou para a A5. Mas obedeci. Afinal de contas ele é que é especialista na matéria. Estranhei ainda mais quando me mandou sair em Monsanto, passar pelas quatro saídas da rotunda, e votlar a entrar na auto-estrada. Tudo bem, estava a pôr-me à prova, com isso posso eu bem. De novo na A5 pediu-me que encostasse à direita. E eu pensei "na faixa da direita vou para a Ponte". Ele insistiu. E entre confiar no meu sentido de orientação e conhecimento geográfico, ou na máquina, optei por ela. E claro que fui até Almada. Um bonito passeio. Olhei com mais atenção para o écrã e percebi que estávamos a trezentos e tal quilómetros do destino. Parece que a pergunta sobre querer ir ou não a Monte Gordo era retórica. Ele já tinha decidido. Depois houve um alegre voltar atrás, com o GPS sempre a pedir-me que fizesse o contrário do que eu queria. Foi uma espécie de teste psicomotor, acho que até me saí bem, porque rapidamente estava nas portagens. Eu e toda a população que tinha ido passar o "revelhão" fora. Divertido!

De volta a Lisboa, e não aprendendo com o exemplo anterior, continuei a ligar mais a um aparelho que dá pelo nome de Tom Tom do que à minha consciência. E isso valeu-me, entre outras coisas, duas voltas seguidas à Praça da Figueira (que estaria ainda a contornar agora se não tivesse decidido ignorar as instruções). Quando cheguei minimamente perto do destino (neste momento "perto" era qualquer sítio na Grande Lisboa), parei o carro e resolvi seguir a pé. Sem GPS nem sinais de trânsito a atrapalhar ia ser canja. Pois ia. Disse à paciente pessoa que esperava por mim há cerca de duas horas, que estava à porta da Sé de Lisboa. Ela foi lá buscar-me.

Mas eu não estava lá, afinal. Aquilo que eu achava ser a Sé de Lisboa era uma igrejinha qualquer, em frente dum mini-mercado.

Enfim, lá cheguei ao meu destino. O amigo Maquiavel achava que os fins justificam os meios, e eu tenho de concordar, embora os meus meios sejam às vezes longos demais, sobretudo com a gasolina tão cara.

 

Mas nada disto foi em vão.

Primeiro, recebi uma grande lição de moral: há coisas que nunca se pedem emprestadas, tais como os filhos, os animais de estimação, a roupa interior e os GPS. (não necessariamente por esta ordem, já que a partir de hoje mais depressa peço emprestado um bebé de 6 meses do que qualquer coisa aparentada com uma bússola).

Depois, arranjei uma resolução de ano novo perfeita, sem ter de puxar pela cabeça: visitar a Sé de Lisboa, para conseguir reconhecê-la quando estiver na sua presença.

 

Este post poderia chamar-se também assim: "Como transformar um feriado cinzento e aborrecido num divertido rally paper sem regras definidas, para jogar individualmente".

 

Tenham um Ano Novo muito... Próspero. Palavra que eu muito aprecio e que só é posta a uso na pssagem de ano (é o equivalente aos talheres de prata que só se vêem no Natal, mas na versão linguística da coisa).


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escrito por Joan@ às 23:55
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Quarta-feira, 10 de Dezembro de 2008

Podia dizer "depois de muitos anos a andar de táxi..."

Mas seria um início de conversa enganador. Eu raramente ando de táxi... Para compensar (ou, se quisermos, como castigo de Deus, todo poderoso) nos últimos três meses fiz um tratamento intensivo... E cheguei à fala com mais de cinquenta senhores "motoristas de táxi", como eles dizem! De todos eles o melhor foi sem dúvida este que aqui vos deixo, e cujo vídeo não retrata nem metade da qualidade da conversa do senhor. Um homem que se queixa, amargurado, da falta de vontade dos passageiros de fazerem amizade com o taxista. Um homem que disse, entre outras coisas, que às vezes levava pessoas para a Costa da Caparica, ia jogar matraquilhos com elas, e o taxímetro continuava a contar. Um homem que fala com saudade do seu início de carreira no taxismo. 

Só por esta, já valeu a pena!

 

 

 

Agora vou poder voltar a dar uso exclusivo ao meu carro, e deixar estas memórias sobre taxistas transformarem-se numa espécie de mito para contar aos netos. Boas viagens!

 

 


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escrito por Joan@ às 01:01
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Terça-feira, 10 de Junho de 2008

Reparei ontem que os camionistas têm o seu próprio acordo ortográfico. E não, não me refiro à "gíria" (e dizer gíria é pouco!) que eles usam nos restaurantes à beira da estrada, enquanto palitam os dentes, de onde caem fios de carne assada. Refiro-me a uma senhora que vi ontem, "empresária de camionagem", com uma frota considerável de "camions", que garantia existirem vários "piquês" ao longo da estrada. Quanto a reivindicações, exigia uma taxa especial para combustível profissional, o fim das portagens e... o regresso das "scooters".

Isto são pessoas, acima de tudo, poliglotas. Deve ser de viajarem tanto, além-fronteiras. Trazem os camiões e os piquetes em francês, e as SCUTs em inglês.

Despeço-me em jeito de poema: Despeçam os linguistas, contratem camionistas!

 



escrito por Joan@ às 00:14
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Sábado, 19 de Abril de 2008

Naquela papelada das seguradoras, que felizmente nunca tive o prazer de preencher, devia haver uma hipótese para "acidente com justa causa", em que o Seguro nos reembolsava por completo. E a razão é simples: um simples zapping na rádio pode ser mortal. Ouvir, inadvertidamente, Pussycat Dolls ou Sean Kingston pode muito bem causar despistes e capotamentos. Alguém devia responsabilizar-se por isto.


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escrito por Joan@ às 12:03
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Terça-feira, 30 de Outubro de 2007
Não percebo tanta preocupção, tanta vontade de deslindar os mais profundos mistérios do universo, quando ainda ninguém conseguiu explicar o fenómeno do trânsito.

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escrito por Joan@ às 15:23
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Segunda-feira, 24 de Setembro de 2007
Será que as pessoas acreditam mesmo num qualquer poder sobrenatural da buzina?? Acham mesmo que se buzinarem muito, e convictamente, os 300 carros que se acumulam à sua frente desaparecerão como que por artes mágicas? O sinal ficará verde? Acreditam mesmo nisso? Parece-me que sim. Já vi usos mais interessantes para esse instrumento que dá pelo nome de buzina. No "Vamos ao Circo" por exemplo, o Batatinha dava-lhe uma utilização original. Ou até mesmo na célebre manifestação da ponte. Aí já era um coro bem composto. Agora buzinar a cada esquina da cidade, só porque o condutor da frente não arrancou um milésimo de segundo mais cedo? Serve para quê?

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escrito por Joan@ às 07:18
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Quarta-feira, 6 de Junho de 2007
Faltava completar a frase com: "para andar a aturar os filhos dos outros". Mas não. Aquilo que aqui vos trago é pior, bem pior!
Uma pessoa não tem filhos e depois tem que tratar do... carro! Em vez de fraldas e pó talco, são ambientadores, limpa-vidros e mariquices que tais. Em vez de pagar a babysitter e o colégio, paga-se um seguro cujo valor dava para fazer o seguro de vida de trigémeos com doenças degenerativas. Em vez de o levar médico para um senhor o pesar, lhe dar vacinas e dizer que "está lindo" leva-se à revisão para um senhor olhar para ele de raspão e encontrar algum defeito. Em vez de o termos a dormir numa alcofa ao pé de nós, temo-lo à chuva e ao sol (não simultaneamente) no meio da rua. Em vez de ele fazer desenhos para nos oferecer no dia da mãe, há senhores que fazem gravuras de Foz-Côa nele, com chaves ou outros objectos pontiagudos, sem se preocuparem sequer com que dia é. Em vez de os vermos aprender o abecedário e a fazer contas de somar, vemos os mais diversos alertas começarem a aparecer: check ao óleo, depósito vazio, cintos mal postos...
O que torna tudo isto dramático é que até gostamos deles como os pais gostam dos miúdos... Ao ponto de lhes darmos nome e conversarmos com eles enquanto estamos ao volante. Diálogos absurdos entre nós e a caixa de velocidades, confissões ao tablier que são, numa palavra, ridículas (como, de resto, todas as cartas de amor, já dizia "o outro").

E no fim disto tudo, tinha que haver alguma compensação. Qual é?
As crianças não têm bancos ergonómicos...

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escrito por Joan@ às 20:25
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