Quarta-feira, 11 de Maio de 2011

São uma e a mesma pessoa.

 

 

 

Mas o boneco (maneira carinhosa pela qual trato James Rodriguez) joga melhor. Talvez também ajude o facto do campo não ser inclinado (ao contrário do que alguns queixosos dizem).


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escrito por Joan@ às 18:48
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Segunda-feira, 4 de Abril de 2011

Eu nunca soube perder, e ainda hoje continuo a não ser grande coisa nessa matéria, admito.

Nos serões familiares jogávamos Trivial Pursuit e eu, apesar de ser a mais nova de todos e não ter qualquer hipótese, acreditava sempre piamente que ia ganhar, e ficava enfurecida quando isso não acontecia. Invariavelmente deitava o tabuleiro ao chão como quem não quer a coisa, e a história costumava acabar com um açoite ou um castigo. Serões divertidos, portanto.

As coisas não mudaram assim tanto desde então. Basta recuar até ao Verão passado para recordar jogos de ténis ou de bowling, nos quais eu, ao fim de poucos minutos, e com a derrota mais que assegurada, começava a jogar com displicência e sem vontade, tentanto que os desafios fossem cancelados por falta de (minha) comparência.

Por todos estes motivos penso sempre duas vezes antes de criticar quem não sabe perder. Não tenho grande moral para apontar o dedo aos jogadores que agridem adversários e levam vermelhos directos. Se eu jogasse futebol era certamente esse jogador. Duvido que aguentasse mais de dois/três minutos em campo num derby.

Provavelmente o tal "electricista" da Luz sofre do mesmo problema que eu. Temos de dar o devido desconto. Afinal de contas é só mais um caso de erro de casting no Benfica. A pessoa errada na função errada. Espero pelo menos que o electricista tenha sido mais baratinho que o guarda-redes.

Continuo a ter pouco jeito para perder e o futebol não me tem dado grandes hipóteses de aprender, devia ter escolhido um clube que perdesse mais frequentemente! Ainda assim continuo a sentir a mesma inveja que sentia na escola, quando via meninos (e meninas) que apesar de perderem os jogos saíam de campo alegremente, como se nada fosse, enquanto eu pegava na lancheira, entrava no carro do meu pai e tinha vontade de lhe pedir para parar rapidamente numa bomba de gasolina. Para comprar sugus? Não. Para partir aquilo tudo. Já me estou a ver, de bibe e panamá na cabeça, a pontapear quem se pusesse à minha frente...

Saber ganhar é mil vezes mais fácil do que saber perder, não há dúvida. Por isso deixo hoje aqui a minha solidariedade para os benfiquistas mais ferrenhos de que há memória: grande abraço para os redactores d'A Bola. Amanhã já podem voltar a fazer capas com Jorge Jesus vestido de Schwarzenegger e essas coisas giras, e esquecemos todos que isto se passou. Volta tudo à normalidade.

 


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escrito por Joan@ às 11:44
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Quinta-feira, 3 de Fevereiro de 2011

Há quem ache completamente irracional que haja quem acredite em Deus. Eu acho que é muito mais irracional acreditar em Maicon. Ou Sereno. Ou Sapunaru. E o exemplo não é válido apenas para estes tropeços. É igualmente irracional acreditar em Hulk, ou em Cristiano Ronaldo ou em Messi. A irracionalidade não varia em função da força ou da técnica. Compreendo melhor que haja quem acredite num homem de barba e túnica que habita algures no Universo e que só fala com a Alexandra Solnado, do que alguém que depoiste a sua fé em onze jogadores depilados e tatuados. Porque a ironia suprema é que, mesmo nos dias em que se perde cinco a zero (não estou a ver a quem possa ter sucedido, ultimamente), os adeptos ficam a remoer a derrota nos seus Opel Corsa de 94, no pára-arranca da IC19 e os jogadores escolhem uma de três hipóteses para se consolarem daquela ligeira contrariedade: a) comprar um Porsche, b) comprar um Ferrari, c) comprar um Lamborghini. Não faz sentido depositarmos as nossas esperanças num bando de gente cujos dias se resumem a "trabalho de ginásio, trabalho com bola, trabalho condicionado" (se lessemos isto fora de contexto nem sabíamos se se tratava dum atleta ou dum caniche daqueles que treinam para provas de agilidade). Sinto que o desporto rei não me merece! Não me pagam para tanto sofrimento e aumento do risco de sofrer dum problema cardíaco precoce. Um destes dias vou ser internada por causa dum fora-de-jogo mal assinalado. E com a minha sorte, quando estiver hospitalizada, vou apanhar uma daquelas acções de solidariedade em que um qualquer Fábio Coentrão visita acamados, para demonstrar que os futebolistas podem não ter cérebro mas têm coração! Claro que os adeptos acreditam também que esse coração tem uma só cor. Os sportinguistas acreditam piamente que o Liedson vai continuar a ver jogos da liga portuguesa e a fazer claque por Saleiro, os benfiquistas acham que David Luiz fez toda a viagem até Inglaterra a tentar estancar as lágrimas com a sua gadelha, tal era já a saudade de Jesus e do Barbas. Estas leis são válidas para qualquer pessoa, de qualquer clube, só muda a cor do filtro. Para mim, tudo o que é azul fica melhor. João Moutinho ficou subitamente mais bonito. De certos ângulos é até alto e espadaúdo. Não há lugar para a analise rigorosa no futebol. Há um acordo tácito entre adeptos e protagonistas: para que fiquemos todos em igualdade de circunstâncias, aceitamos deixar o cérebro à porta do estádio. Ao ligar a SportTV, depositamos o nosso cortex cerebral ao lado da box e só o levantamos ao fim de 90 minutos. Ainda assim há quem tente "racionalizar o fenómeno desportivo" (é assim que eles falam) criando novos sinónimos para ridículo: "Rui Santos" ou "Luís Freitas Lobo".

Claro que no final de Maio, ao ver a faixa de campeão, vou ser como as pessoas que se reconciliam com a fé. Perante o milagre da vizinha do 3º esquerdo que voltou a andar contra todas as previsões médicas, bastando o pároco da freguesia tocar-lhe no joelho, a dona Alcina esquece a doença terrível que levou o seu marido e a fez zangar com Deus, e volta a ir à missa e a comungar. Perante o próximo golo de calcanhar do Falcao, eu voltarei a ser feliz, feliz como só os irracionais conseguem ser. E vou insultar aqueles irracionais que estão a dizer que o Benfica é que devia ter ganho o campeonato. É preciso ser estúpido...

 

 

 

 


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escrito por Joan@ às 09:38
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Segunda-feira, 12 de Julho de 2010

Mais um exemplo de como Miguel Esteves Cardoso escreve como ninguém e diz o que todos gostaríamos de ter pensado.

 

"Tinha sido contaminado pelo futebol. O futebol tinha saído da jaula fortificada onde eu o guardo e tinha conseguido invadir o jardim maximum security da minha vida. A minha mãe já me tinha avisado. Quando nós éramos pequeninos e ela passava tempo de mais connosco, falando criancês - aquela língua delicodoce e cheia de diminutivos que os pais usam para dar ordens e ensinar coisas aos filhotes -, acontecia-lhe continuar a usar a mesma língua quando estava com adultos. Durante um cocktail, aconselhava um comodoro americano que acabara de lhe ser apresentado a "não vai beber esse uisquizinho todo de uma vez, pois não? Parece muito bom e fresquinho, cheio de pedrinhas de gelo, mas o álcool faz mal ao figadozinho! E nós não queremos que isso aconteça com o comodoro, pois não? Não! Claro que não queremos, porque o comodoro é um bom comodoro e quer um dia ser almirante, não é?" No criancês, o adulto geralmente responde às suas próprias perguntas e à criança cabe fazer que sim ou que não com a cabeça. O futebolês não é muito diferente. Pergunta-se: "Achaste que foi fora-de-jogo?" E segue-se logo com a resposta: "Aquilo nunca foi fora de jogo!" (O futebolês é tão exageradamente agressivo e discordante como o criancês é ternurento e unanimista)."

 

in Público (12/07/10)


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escrito por Joan@ às 16:10
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Quinta-feira, 13 de Maio de 2010

Já se comparou tudo o que havia a comparar entre as comemorações do campeonato e as celebrações da visita de Ratzinger. Milhares na rua, agitar de bandeirinhas, Papa e Jesus, etc e tal.

Mas isto fez-me pensar noutra coisa. A inveja que eu tenho dos benfiquistas é exactamente a mesma que tenho dos católicos. E não tem a ver nem com a vitória de uns, nem com a (suposta) eterna salvação dos outros. A verdade é que professar quer a fé do Vaticano quer o credo da Luz é optar pelo caminho da facilidade. É muito mais fácil ser benfiquista em Lisboa, e católico em Portugal, do que ser qualquer outra coisa. Os benfiquistas contam com a solidariedade incontida dos seus pares, e livram-se da sua alarvidade, que é apenas para consumo externo. Os católicos contam com o conforto de que tudo acontece por um motivo, que há alguém a organizar a nossa vida como se de um grande evento se tratasse, com catering e tudo. Que bom deve ser acreditar mesmo que os árbitros prejudicam o Benfica, ou que vamos todos para o Céu comer Philadelphia, ou seja o que for que por lá se faz, todos vestidos de branco como se estivessmeos numa festa da Caras na Quinta do Lago. Para os benfiquistas e os católicos, tudo faz sentido. Para uns há as manchetes d'A Bola, para outros há funerais que põem o ponto final lógico a tudo o que se passou. Os não praticantes de religião alguma, acabam por ter um funeral emprestado, um cerimonial que não lhes pertence mas que, à falta de melhor, serve.

E foi por isso que tentei afincadamente ser devota de qualquer coisa. Para garantir pelo menos um funeral condizente com o resto. Prezo muito a coerência, mesmo na hora do enterro. Os meus pais não me baptizaram e eu resolvi armar-me em rebelde e começar a ir à missa com a minha avó. Dei-lhe uma alegria fugaz (o meu irmão já tinha feito a mesma ameaça, indo à catequese por pouco tempo). Mas nunca consegui entrar naquele teatrinho que ali se desenrolava. Estava sempre demasiado atenta à desafinação dos paroquianos no momento de cantar "Hosana nas alturas" (que durante muito tempo pensei ser um muito mais lógico "ó santa nas alturas", mas a Igreja insiste na sua linguagem críptica), para mim aquela velhota de buço na fila de trás nunca deixava de ser uma ameaça para o momento do "saúdem-se uns aos outros", tinha-a sempre controlada na minha visão periférica, de forma a poder esquivar-me na hora h, e o peditório no final da missa sempre me soou a beneficência compulsória.

Quanto ao Benfica, percebi desde logo que não valia a pena sequer tentar. Mais facilmente acreditava no milagre da multiplicação dos pães do que nos penalties inventados por João Vieira Pinto. Mas confesso que, algures na escola primária, fingi ter outro clube numa conversa de recreio. Lembro-me desse momento com um detalhe doentio. Estávamos numa rodinha, no campo de jogos, e eu comecei por dizer que era do FC Porto. A estupefacção de bocas escancaradas e o choque de vários pares de olhos esbugalhados, fizeram-me recuar, e recorrer à minha secreta veia de actriz: soltei uma gargalhada e disse "acham? estava a brincar. sou do Sporting". Senti-me tão mal depois desse episódio que percebi que: 1º - era irremediavelmente portista, 2º - não havia confessionário que me aliviasse aquele peso na consciência. Nunca percebi a ideia de ir falar para um senhor que não nos é nada e que nos recomenda como remédio uma resma de Avé Marias. Para isso prefiro ir a um pisquiatra, que sempre pode receitar químicos. Há demasiadas coisas na Igreja que nunca percebi, desde as hóstias que o padre enfia pelas bocas adentro, até às regras impossíveis de cumprir que impõe aos seus seguidores.

Mas a inveja permanece. Continuo a achar que "isto está bom é para eles", os crentes. É tão bom acreditar em coisas, sobretudo nas irracionais. Acreditar que o Pai Natal é que traz os presentes, que o Carlos Martins merecia mesmo ir à selecção, que Deus existe e quando acontecem catástrofes terríveis é só porque ele se distraiu ou teve tolerância de ponto nesse dia, para ver o Papa na televisão.

E é por ter esta genuína inveja que não consigo alinhar no discurso destrutivo, contra a Igreja Católica e contra quem nela acredita. É que está mais que provado que não me dou bem com as coisas fáceis. E hoje, mais do que nunca, é fácil dizer que todos os adeptos do Porto são vândalos e que todos os padres, bispos e aparentados são criminosos. Era muito mais prático concordar, mas ainda não é desta que vou com a maré.



escrito por Joan@ às 13:00
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Quarta-feira, 28 de Outubro de 2009

Hoje recebi o seguinte convite...

 

Maria (nome fictício, para protecção da pessoa em causa) invited you to "Benfica Campeão " on Sunday, May 9, 2010 at 11:00pm.

Event: Benfica Campeão
      "Comemoração do Titulo Nacional 2009/10"
What: Mixer
Start Time: Sunday, May 9, 2010 at 11:00pm
End Time: Monday, May 10, 2010 at 9:00am
Where: Marquês de Pombal

 

Meus amigos, isto começa a tomar proporções ridículas! (E não, não aproveitem o termo "proporção" para fazerem nova referência às goleadas. Eu até acho isso giro. Dá mais emoção aos jogos e recebem 3 pontos na mesma, com o dobro do cansaço).

Este convite só me faz lembrar aqueles nerds que arranjam, sem saber como nem porquê, uma namorada giríssima, e pensam para si: "Deixa-me cá marcar já o casamento para ela não me fugir. Com a boda marcada, padrinhos convidados, igreja reservada e menu escolhido, com porco em vinha de alhos e tudo, ela não me vai fazer a desfeita de acabar tudo comigo". Sugiro até que festejem já, que os campeonatos (sobretudo os vencidos pelo SLB) não são como os aniversários: não acontecem todos os anos, nem dá azar comemorar antes.



escrito por Joan@ às 08:34
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Terça-feira, 14 de Julho de 2009

Fernando Mendes (o do futebol, não o da dobrada) diz que quando era futebolista tomava comprimidos que vinham sem lapela. Mal vestidos, portanto.


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escrito por Joan@ às 12:49
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Quarta-feira, 1 de Abril de 2009

Se Carlos Queirós considera uma magra vitória frente à África do Sul (num amigável!) razão suficiente para cumprir uma promessa e cortar a barba, ainda bem que não vamos mesmo a Mundial nenhum, caso contrário temo o que faria quando ganhasse o primeiro jogo oficial ou, na loucura, se ganhasse o dito campeonato. Não me apetecia nada ver Queirós a correr nu pelo relvado. Se bem que seria engraçado assistir à sua conferência de imprensa no final (depois dos polícias o apanharem). Que metáforas usaria dessa vez?


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escrito por Joan@ às 09:19
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Domingo, 15 de Fevereiro de 2009

Estou aqui a tentar ver o FC Porto jogar mas infelizmente uma peixeira do Bolhão posicionou-se demasiado perto do microfone da RTP, pelo que mais do que o som ambiente do estádio ou as descrições dos comentadores, estou a ouvir pérolas tão boas como "Vai mas é cortar o cabelo, pá!" (dirigida a Farías) ou "vai mas é roubar para a feira, seu filho da #&4"!", e outras ainda que me vejo impossibilitada de citar, uma vez que a minha mãe visita este blog, e não está habituada a ver jogos de futebol.


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escrito por Joan@ às 20:44
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Sexta-feira, 6 de Fevereiro de 2009

Numa semana em que tanto se falou, e tão pouco se acertou, do caso Miguel Veloso, aqui fica um vídeo que ajuda a esclarecer as coisas. Escusam de nos agradecer. É assim uma espécie de serviço público.

  

 

Todas as sextas-feiras, vídeos de elevadíssimo interesse e pertinência, aqui.


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escrito por Joan@ às 15:07
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