Quinta-feira, 13 de Maio de 2010

Já se comparou tudo o que havia a comparar entre as comemorações do campeonato e as celebrações da visita de Ratzinger. Milhares na rua, agitar de bandeirinhas, Papa e Jesus, etc e tal.

Mas isto fez-me pensar noutra coisa. A inveja que eu tenho dos benfiquistas é exactamente a mesma que tenho dos católicos. E não tem a ver nem com a vitória de uns, nem com a (suposta) eterna salvação dos outros. A verdade é que professar quer a fé do Vaticano quer o credo da Luz é optar pelo caminho da facilidade. É muito mais fácil ser benfiquista em Lisboa, e católico em Portugal, do que ser qualquer outra coisa. Os benfiquistas contam com a solidariedade incontida dos seus pares, e livram-se da sua alarvidade, que é apenas para consumo externo. Os católicos contam com o conforto de que tudo acontece por um motivo, que há alguém a organizar a nossa vida como se de um grande evento se tratasse, com catering e tudo. Que bom deve ser acreditar mesmo que os árbitros prejudicam o Benfica, ou que vamos todos para o Céu comer Philadelphia, ou seja o que for que por lá se faz, todos vestidos de branco como se estivessmeos numa festa da Caras na Quinta do Lago. Para os benfiquistas e os católicos, tudo faz sentido. Para uns há as manchetes d'A Bola, para outros há funerais que põem o ponto final lógico a tudo o que se passou. Os não praticantes de religião alguma, acabam por ter um funeral emprestado, um cerimonial que não lhes pertence mas que, à falta de melhor, serve.

E foi por isso que tentei afincadamente ser devota de qualquer coisa. Para garantir pelo menos um funeral condizente com o resto. Prezo muito a coerência, mesmo na hora do enterro. Os meus pais não me baptizaram e eu resolvi armar-me em rebelde e começar a ir à missa com a minha avó. Dei-lhe uma alegria fugaz (o meu irmão já tinha feito a mesma ameaça, indo à catequese por pouco tempo). Mas nunca consegui entrar naquele teatrinho que ali se desenrolava. Estava sempre demasiado atenta à desafinação dos paroquianos no momento de cantar "Hosana nas alturas" (que durante muito tempo pensei ser um muito mais lógico "ó santa nas alturas", mas a Igreja insiste na sua linguagem críptica), para mim aquela velhota de buço na fila de trás nunca deixava de ser uma ameaça para o momento do "saúdem-se uns aos outros", tinha-a sempre controlada na minha visão periférica, de forma a poder esquivar-me na hora h, e o peditório no final da missa sempre me soou a beneficência compulsória.

Quanto ao Benfica, percebi desde logo que não valia a pena sequer tentar. Mais facilmente acreditava no milagre da multiplicação dos pães do que nos penalties inventados por João Vieira Pinto. Mas confesso que, algures na escola primária, fingi ter outro clube numa conversa de recreio. Lembro-me desse momento com um detalhe doentio. Estávamos numa rodinha, no campo de jogos, e eu comecei por dizer que era do FC Porto. A estupefacção de bocas escancaradas e o choque de vários pares de olhos esbugalhados, fizeram-me recuar, e recorrer à minha secreta veia de actriz: soltei uma gargalhada e disse "acham? estava a brincar. sou do Sporting". Senti-me tão mal depois desse episódio que percebi que: 1º - era irremediavelmente portista, 2º - não havia confessionário que me aliviasse aquele peso na consciência. Nunca percebi a ideia de ir falar para um senhor que não nos é nada e que nos recomenda como remédio uma resma de Avé Marias. Para isso prefiro ir a um pisquiatra, que sempre pode receitar químicos. Há demasiadas coisas na Igreja que nunca percebi, desde as hóstias que o padre enfia pelas bocas adentro, até às regras impossíveis de cumprir que impõe aos seus seguidores.

Mas a inveja permanece. Continuo a achar que "isto está bom é para eles", os crentes. É tão bom acreditar em coisas, sobretudo nas irracionais. Acreditar que o Pai Natal é que traz os presentes, que o Carlos Martins merecia mesmo ir à selecção, que Deus existe e quando acontecem catástrofes terríveis é só porque ele se distraiu ou teve tolerância de ponto nesse dia, para ver o Papa na televisão.

E é por ter esta genuína inveja que não consigo alinhar no discurso destrutivo, contra a Igreja Católica e contra quem nela acredita. É que está mais que provado que não me dou bem com as coisas fáceis. E hoje, mais do que nunca, é fácil dizer que todos os adeptos do Porto são vândalos e que todos os padres, bispos e aparentados são criminosos. Era muito mais prático concordar, mas ainda não é desta que vou com a maré.



escrito por Joan@ às 13:00
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Quinta-feira, 15 de Janeiro de 2009

As afirmações do Cardeal Patriarca, D. José Policarpo, incluem-se, cá para mim, numa categoria muito específica da expressão humana: a categoria das "alarvidades que se dizem numa acesa discussão de amigos, durante um jantar, pura e simplesmente para chocar e lançar mais achas para a fogueira".

 

Eu compreendo perfeitamente isto. Eu sou pessoa que disse que votaria no John McCain apenas para que uma discussão durasse mais umas horas. Eu sou pessoa que disse que a Manuela Ferreira Leite tinha toda a razão em discordar do casamento homossexual, apenas para que a conversa durasse o tempo suficiente de acabarmos com o pirex de massa. Eu consigo até imaginar-me a defender os regimes totalitários, por alguns segundos, em nome do salutar convívio entre as gentes.

 

Agora... Contra si, o Cardeal tem o facto de:

1 - não estar a comer massa com atum na companhia dos seus amigos,

2 - não estar numa acesa discussão com ninguém, mas sim num monólogo reflectido,

3 - não estar (até prova em contrário) com os copos,

4 - não ter 20 anos,

5 - estar a ser filmado

6 - estar acompanhado pela Fátima Campos Ferreira (isto é sempre uma desvantagem, em qualquer cenário!).

 



escrito por Joan@ às 13:49
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Quinta-feira, 16 de Agosto de 2007
Será que as pessoas que dizem só acreditar naquilo que os seus olhos vêem acreditam em tubérculos?

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escrito por Joan@ às 05:15
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Quarta-feira, 6 de Junho de 2007
Quando vemos um simpático jovem tentar, desesperadamente, dar uma voltinha no Papamobile... e o dito cujo Papa não tem a bondade de o levar até ao fim da rua sequer... colocamos tudo em causa. É como destruir o sonho de uma criança de andar no Batmobile, mas na versão branca e evangelizada da coisa. Afinal de contas, custava muito dar uma boleia ao moço? Que é feito do teu espírito cristão, amigo Ratzinger? É que nem se dignou a olhar pelo retrovisor...


escrito por Joan@ às 19:06
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Quinta-feira, 28 de Abril de 2005

A escolha do novo Papa! Agora já percebemos como foi, e o porquê de tanta demora do fumo branco!! É que estes jogos são demorados, não é uma coisa fútil e infantil, o que é que acham??
Resta saber qual seria a banda sonora.. ao que parece os cânticos da missa não tinham um ritmo suficientemente cativante para os cardeais!

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escrito por Joan@ às 15:25
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Sexta-feira, 1 de Abril de 2005
Com toda esta situação do Papa sabem quem ficou a ganhar?? O Padre Borga! Ah pois é!... Não, não foi nomeado cardeal nem ganhou uma viagem ao Vaticano, mas... passou de animador/músico/tocador de viola/cantor/orador/atendedor de chamadas/figura de corpo presente das manhãs da Praça da Alegria para Comentador do Telejornal, querem promoção mais rápida e rentável do que esta?? Só mesmo se fosse o sucessor do Papa... (Papa Borga seria um nome inigualável em décadas e décadas da história católica)...

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escrito por Joan@ às 17:04
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Um pouco de humor negro (ou branco, dependendo do ponto de vista) - imaginem que o Papa se levantava e dizia "Ahh caíram! Era só partida do Dia das Mentiras!"... (vá lá não façam essa cara!).

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escrito por Joan@ às 17:01
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Quinta-feira, 17 de Fevereiro de 2005
Consta que nos últimos dias vários agregados familiares portugueses se desfizeram, com base em suspeitas de infidelidade por parte de ambos os cônjuges! A crise familiar generalizada, ao que parece, ficou a dever-se a um mal entendido - maridos, mulheres, filhos, filhas, cunhados e sogros ficaram indignados ao saber que a restante família lhes escondia a existência de uma irmã, um segredo bem guardado durante anos, e só desvendado, tristemente, na pior hora - a irmã Lúcia!

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escrito por Joan@ às 16:17
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