Segunda-feira, 29 de Agosto de 2011

Fazer malas. Madeira. Os taxistas do nosso aeroporto ao pé dos madeirenses são uns meninos de colo. 35 euros para chegar ao hotel. Piscina. Bolo do caco. Várias estações do ano no mesmo dia. Barco para Porto Santo. Porto Santo às moscas porque toda a população foi levada a ver o Querido Líder ao Chão da Lagoa. Rally da Madeira. Restaurante Riso, em que tudo leva arroz. Volta à ilha, não em bicicleta mas em carro alugado. Subida com inclinação de 27%. Carro não sobe à primeira. Nem à segunda. Inversão de marcha. Mais voltas à ilha. Casinhas de Santana, espetada em pau de louro, piscinas naturais. Poncha de maracujá. Senhoras e meninas nitidamente vestidas pelas boutiques do Cristiano Ronaldo. Bom sushi no Shu.aka. Casal tuga partilhando táxi connosco para fugir à máfia, e o cabeça de casal a dizer "que a pancha é um veneno, que as pessoas bebem como se fosse sumo e depois ficam com a cabeça à roda". Muitos escuteiros ou escoteiros - vá-se lá distingui-los - em todos os aeroportos e aviões. Não se pode proibir este fagelo?

 

Desfazer malas. Fazer malas.

 

O Grove. Ou "a estranha mania dos espanhóis juntarem o artigo ao nome da terra". Pinchos. Calamares. Praia em que a água se assemelha a uma cuvete de gelo gigantesca. Dores nos ossos. Praia bonita, ainda assim. A incompreensão de ainda haver hoteis que cultivam o cheiro a mofo. Aquilo deve dar trabalho, é preciso método para deixar sempre as janelas fechadas, permitindo que o aroma das alcatifas flua. Dono de café mal educado e pouco dado a receber clientes. Pedido de livro de reclamação. Pedido negado. Chamar polícia de O Grove. Bonitas fardas. Reclamação feita, procurámos outros sítios para mostrar o espírito contestatário dos portugueses. Sem sucesso. Os outros galegos insistiram em tratar-nos com amabilidade. Não se percebe. Mojito tostado.

 

Praias de Moledo e do Cabedelo. A gente do Norte só pode ser feita doutro material. Para os lisboetas a praia é sinónimo de descansar, andar de gaivota, comer gelados. Para eles é sinónimo de lutar contra o vento, entrar num mar de zero graus com bandeira vermelha, comer areia, evitar levar com um kitesurfer em cima. Digamos que mais do que uma tarde de lazer parece uma prova dos Gladiadiores Americanos.

 

Viana do Castelo.

E estes versos a ganhar mais sentido do que nunca:

Se o meu sangue náo me engana
como engana a fantasia
havemos de ir a Viana
ó meu amor de algum dia.

 

O sangue não me enganou. Uma das terras mais bonitas de Portugal. Pousada O Laranjeira, a mais pitoresca que já vi, e estrategicamente localizada em frente à confeitaria Natário, muito elogiada por Jorge Amado. Parece que a especialidade são as bolas de berlim. Tivemos que fazer o sacrifício de provar. Descobrimos que o Jorge Amado era um vendido, ou tinha um grave problema de gula. Apanhámos vários textos elogiosos sobre outros estabelecimentos de restauração. Devia ser amigo de comer à pala. Percebo agora o Gabriela "cravo e canela"! Só estranho não ser "Dona Flor e os seus dois pudins". Santa Luzia - quero uma casa com uma vista assim. Restaurante O Camelo, overdose de rojões. Ponte de Lima. Overdose de cabrito. Instala-se a dúvida: como é que o Minho não tem taxa de obesidade superior à dos EUA? Rio Lima - uma semana depois vimos notícias sobre a qualidade (ou falta dela) da água. Tarde demais. Valeu a pena o mergulho, mesmo que venha a ter erupções cutâneas na testa. Festa de Santoinho. A melhor festa de sempre. Esqueçam o Carnaval da Bahia, e até mesmo o de Torres, esqueçam os Santos Populares, esqueçam até o Natal. Nem o nascimento de Jesus/louca descida do Pai Natal pela chaminé (escolher a opção preferida) me enchem de quentinho como a maior festa de emigrantes do Norte. Uma romaria de lusodescendentes iguais ao Cristiano Ronaldo mas que "ne parlam pas portugais", trazidos pelos seus pais com fartas bigodaças e que trabalham em Lausanne. A maior concentração mundial de camisolas pretas com letras douradas a dizer "orgulho português". E nós estivemos lá. A comer broa, sardinhas, frango assado e... mais importante... a beber champarrião. Diz-nos a Wikipedia que é vinho verde com cerveja e açúcar. Nós bem sentimos qualquer coisa estranha no estômago no dia seguinte...! Actuação de ranchos folclóricos e de grupo musical com repertório de Tony Carreira. Em cada emigrante um amigo.

 

Póvoa do Lanhoso. Bungalow de madeira num parque aventura (porquê, meu Deus, porquê? Porque me meto nestas provações?). Perseguidos por uma vaca. Sobrevivemos. Chega de adrenalina para mim, obrigadinha.. 43 graus. Albufeira da Caniçada. Os nossos amigos emigrantes outra vez. À luz do dia são piores. Sobretudo porque têm todos o símbolo da Federação Portuguesa de Futebol tatuada no peito. Suspeito que acham que aquilo é a bandeira nacional. 

 

Desfazer malas. Fazer malas.

 

Algarve. Arranjar um lugar na areia é mais dificil que resolver um cubo de rubik. Uma pessoa acaba por se render e ficar ao lado dum grupo de adolescentes de Vila Nova de Gaia, como sempre tivessemos sido amigos e tivessemos muito mais afinidades para além da escolha da praia da Falésia. Mas tudo vale a pena (mesmo com almas pequenas) quando a temperatura da água ronda os 24 graus. Repor os niveis de ómega 3 com peixe cru no Tako, que o último sushi já ia longe (estranhamente no Minho não há uma grande comunidade japonesa), e acabar sem dó nem piedade com o dolce fareniente, com regresso a Lisboa e escala em Tróia, só para o desmame não ser abrupto e não corrermos o risco de danos cerebrais (mais ainda dos que a leitura exclusiva de revistas cor-de-rosa já causa).

 

Desfazer malas... ao fim de muitos dias com elas a olharem para mim.

 

Agora... sopas e descanso, o que não deixa de ser irónico depois de três semanas em que era suposto descansar. A minha vida de trabalho é muito menos exigente que isto! Que bom estar de volta.

 

(*) O título deste post é uma passagem de uma obra da música ligeira portuguesa, da qual infelizmente nunca consegui encontra registo, mas que nunca esqueci!


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escrito por Joan@ às 18:20
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Quinta-feira, 30 de Dezembro de 2010

Não sou muito dada a balanços, primeiro porque não tenho jeito nenhum para dançar, e segundo porque a verdade é que os grandes acontecimentos nunca me marcam por aí além. Nem as cinzas vulcânicas, nem as cheias na Madeira, nem as escutas, nem o casamento gay, nem o Papa no Terreiro do Paço, muito menos a Lady Gaga no Pavilhão Atlântico ou a Espanha na África do Sul (dito assim parece uma incongruência geográfica!). Em nada a minha vida mudou por acompanhar o drama dos mineiros do Chile (até porque já tinha como constante "mental note" colada no cérebro "não enveredar por grutas escuras"), em nada alterei o meu roteiro por causa da Cimeira da Nato (enquanto Obama não quiser reunir no eixo Linda-a-Velha/Amoreiras está tudo sob controlo). Acho mesmo que o único acontecimento do ano que posso partilhar com (alguns) dos comuns mortais deve ser o 5 a 0 do Porto ao Benfica. Ainda assim, as figuras do ano estão longe de ser o Villas Boas, ou o Hulk, ou o Jorge Jesus, ou o Mark Zuckerberg ou o Julian Assange. As figuras do ano são as que vão comigo ao sushi sexta-feira sim sexta-feira sim, as que mandam mensagens, as que se sentam ao meu lado no cinema e felizmente não comem pipocas, as que me servem o almoço todos os domingos, as que partilham comigo (sem modos nenhuns!) o open space, as que estão presas no Facebook apenas porque nunca há tempo para o "tal café" que anda a ser combinado há quinze meses (será em 2011?)...

Seguindo este ângulo desavergonhadamente egocêntrico, para mim os acontecimentos do ano foram: (e não façam esse ar de "o que é que isso interessa?" porque na verdade também não vos interessa assim tanto a devastação no Haiti... aposto que já nem se lembravam...)

 

- Ter ajudado a erguer (pelo menos até ao nono andar) o Canal Q!

- Ter trabalhado com Herman José (o mesmo que um futebolista poder trabalhar com José Mourinho ou São Pedro poder trabalhar com Deus).

- Ter ido finalmente aos Estados Unidos, conhecer 3 cidades e ficar com vontade de conhecer mais umas 18.

- Ter-me convertido ao Mac (não aos hamburguers, calma! Apenas à maquineta). Mas não me converti ao ponto de jurar, como uns e outros, que eles nunca crasham. Não, que ideia...

- Ter visto a minha avó partir a pena e voltar a andar airosamente mais rápido que um Obikwelu (e sem recurso a doping!)

- Ter passado dois dias no Hotel Ritz a brincar aos ricos e/ou poderosos.

- Ter descoberto que afinal consigo correr! Começou em 5 minutos, já vai numa hora. Qualquer dia sou o Forrest Gump do concelho de Oeiras. Só me apanham em São Pedro do Estoril...

- Ter chegado até ao Mia Couto (sim, para mim ele é a revelação do ano, tipo Fábio Coentrão dos livros, apesar de já ter uma carreira mais longa que o Paulo Futre), ver chegar até mim o The Biggest Loser e uma Modern Family, ver uma das melhores histórias do ano disfarçada de desenho animado, no Toy Story 3.

- Ter comido o melhor sushi, senão do Mundo, pelo menos de Lisboa, ou ali do eixo Belém/Ajuda. O melhor e não se fala mais nisso.

- Ter descoberto, depois de uma busca mais exaustiva que a dos leitores do Onde Está o Wally?, a casa ideal!

- Ter cumprido mais de metade das resoluções para 2010... O que me deixa já meio trabalho adiantado para as resoluções 2011. E como a preguiça nunca muda de ano para ano, isto é um óptimo começo.



escrito por Joan@ às 20:44
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Quarta-feira, 25 de Agosto de 2010

- descobri esta música, com um mês e tal de atraso. daqui a mais um mês vou descobrir a da shakira e perceber que a espanha venceu o mundial. e infelizmente também ouvi a do "papa americano", o Asereje do século XXI (mas sem o bónus da coreografia giríssima).

- relembrei, quando fui a Albufeira, que devia ter prestado mais atenção às aulas de inglês. devia ter estado especialmente atenta àquele módulo que era "inglês para grunhos".

- joguei "escrúpulos" e percebi, entre outras coisas, que aquele que se intitula de minha "cara-metade" (felizmente nunca usando este termo, porque aí seria eu mesma a deixar-lhe a cara pela metade, ceifando-lhe uma bochecha) estava disposto a passar uma noite por semana com uma MILF, a troco de 20 mil euros anuais. tão barato, e ando eu aqui em despesas.

- doze anos depois, voltei a comer douradinhos.

- percebi que há pessoas que envergam de propósito a sua melhor écharpe (e isto infelizmente é válido para homens também), e calçam os seus melhores sapatos, para irem às "sunset parties" da Praia da Falésia, privar com Fátima Preto.

- tentei fazer crumble de frango. não resultou. continuo a defender que a culpa foi do forno eléctrico, um electrodoméstico tão mortífero para a culinária como a cadeira (eléctrica).

- fiz contas (rudimentares, que a minha capacidade não me permite mais) e percebi que se comprasse água engarrafada em Lisboa, já não tinha dinheiro sequer para me vestir.

- voltei a ter água nos ouvidos e quantidades históricas de areia no fato-de-banho. com bandeira amarela no algarve é garantido.

- comi pizza de brigadeiro e de chocolate branco e durante vários dias implorei que não pronunciassem junto de mim a expressão "rodízio", sob pena de induzir o vómito.

- fiquei a par de todos os dramas do "jet 7" nacional, que nesta época são ainda mais ridículos que no resto do ano. no fundo, são coisas como: "carolina patrocínio vive dilema: deve comer bolas de berlim com ou sem creme?", ou "nuno santos e andreia vale vão à piscina de manhã e à praia à tarde". ai, como me descansa o descanso dos outros.

- comprovei que cidadãos com BI português são personas non gratas em todos os espaços de restauração. Incomodamos por não saber pronunciar correctamente "swordfish grelhado", porque não bebemos 7 barris de cerveja, porque percebemos quando tentam aldrabar-nos, porque gostávamos de ser servidos em menos de hora e meia (tempo médio de espera só para a entrada), e porque no fim de tudo isto não deixamos uma generosa gorjeta e um aplauso ao serviço tão amável.

- percebi porque é que apesar de estarem 5 milhões de portugueses no algarve, a praia ainda tinha espaço para estender a toalha: estavam todos no Algarve Shopping a fazer o mesmo que fazem no resto do ano: passear com a família. mas desta vez de tanga e sandálias.

- confirmei, uma vez mais, a minha falta de jeito para o bowling, a wii, o minigolf, o ténis ou a natação em águas livres (esta não cheguei a experimentar, deixei de lado, tal como o poker, o hipismo ou o hóquei no gelo).

- concluí que 18 dias são um bom início de férias. faltou-me o meio e saltei para o fim.

 



escrito por Joan@ às 12:08
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Sexta-feira, 30 de Julho de 2010

"As minhas férias" é, oficialmente, o segundo tema de composição mais pedido pelas professoras primárias, logo a seguir a "A Primavera". Ao longo da minha vida já fiz milhares dessas redacções... Normalmente eram feitas na ressaca das férias grandes, depois de 3 infindáveis meses de alegria para uns e desespero para outros (como eu). Três meses era tempo demais. Eram dias a mais. Calor a mais. Areia a mais no fato-de-banho. Família a mais. Numa casa alugada com bibelots a mais. E um sofá de cabedal. Quente demais. Tudo aquilo era isso mesmo: a mais. Um excedente desnecessário, inútil. Férias para quê? Para descansar da escola?! Eu passava um ano lectivo inteiro a descansar. Há lá coisa mais relaxante que fazer pisa-papeis em barro, ditados, provas de estudo do meio ou jogos de futebol-aranha?! Cada ano que passava era um feriado gigante. E depois as férias grandes, um castigo. Sem os amigos em Lisboa, sem nada de novo para fazer, sentia-me uma presidiária a contar os dias para o regresso à vida. Estava numa Twilight Zone, ali no eixo Linda-a-Velha/Lagoa/Meia-Praia, à espera. Eu que sempre odiei esperar, passava 90 dias à espera que a espera acabasse.

Agora que as férias são realmente úteis, revestem-se de novo encanto. Agora dou por mim, naqueles finais de dias de trabalho em que já não consigo articular meia frase com sentido, a desejar três meses inteiros de férias. Sem precisar sequer daqueles livros de "actividades para o Verão" para me entreter.

As composições sobre as minhas férias saíam sempre desinteressantes. Apetecia-me falar do que aí vinha, do ano novo, dos planos que tinha feito ao mesmo tempo que construía castelos dignos do Rei dos Gnomos, à beira mar, e obrigavam-me a ficar ali, encalhada uma vez mais nas férias que já tinham acabado.

O que está para vir é sempre muito melhor do que o que já foi. Porque ainda pode ser tudo, ainda tem todas as hipóteses. A noite de 24 de Dezembro é muito melhor do que a de 25: ainda não sabemos o que está dentro daqueles embrulhos... No dia seguinte, os embrulhos já são material de reciclagem e os presentes já são passado. Afinal não eram nada de especial, eram parecidos com o do ano anterior. Mas muito piores que os do ano seguinte. Porque o ano seguinte é que vai ser!

Por isso hoje falo das minhas férias antes que elas comecem. Antes que ganhem vida e se tornem incontroláveis. Neste momento elas afiguram-se-me como as melhores férias de todas. Porque ainda não se esgotaram.

Esta composição sobre as minhas férias continua a ser tão desinteressante como as suas antecessoras. Mas desta vez escrevo-a com alegria. Com aquela alegria de quem vai embora, que vendo bem é parecida com a alegria de quem voltava à sala da primária.

 

 



escrito por Joan@ às 18:52
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Terça-feira, 25 de Maio de 2010

Às vezes pergunto-me se algum dia conseguirei ser como aquelas pessoas que andam de avião como quem anda de autocarro: a descontracção, a naturalidade, o tédio - conseguem inclusivamente dormir, ignorando o facto de estarmos a milhares de pés de altitude e em risco de vida!

Concluo que sim. Um dia hei-de apanhar um avião como quem apanha o 23 da Carris em Algés. Mas o pior é que ao fim de 5 minutos vou levantar-me e procurar o botão de "stop" para saír na paragem seguinte.


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escrito por Joan@ às 11:50
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Quarta-feira, 30 de Dezembro de 2009

Antes de mais devo dizer que se pudesse ter 2009 numa só revista, adoraria que fosse na Telenovelas. Isto porque além de ter um óptimo formato para levar no bolso, é perita em resumir as coisas ao essencial, reduzi-las ao que realmente interessa, com frases como "Micaela descobre Jorge com Sónia e mata ambos". É isso que pretendo fazer acerca deste ano que agora finda (e não podia findar sem eu usar o verbo findar).

Por entre horas e horas de resumos do ano e da década em telejornais que se repetem até mais não, estão a ficar de fora os acontecimentos realmente marcantes de 2009.

 

E são eles:

 

 

O fim de Calvin & Hobbes no jornal Público. Tudo bem, o seu (à época) director justificou a decisão com o facto de já estarem a repetir pela quinta vez as mesmas tiras. Mas eu leio o jornal antes das nove da manhã, acham mesmo que passados cinco minutos ainda sei o que lá vi? Por mim até podia ser a mesma tira dia após dia, que continuava a aquecer-me mais que o meu cházinho de mel e ginseng (bem a propósito, outra descoberta do ano. É da Tetley, adquiram-no). Falando em géneros alimentícios... outra das grandes descobertas do ano foi o tremoço. Bem sei que Eusébio já o tinha descoberto há várias décadas (dizia ser o seu marisco favorito), mas eu só na passada Primavera é que consumi um pela primeira vez. Não sabia que era preciso tirar a casca. Achei gelatinoso. Mas sempre saiu mais barato que o pires de presunto que consumi no Clube do Fado em Lisboa. 15€, imagine-se. Ainda se tivesse actuado lá a Amália!

Por falar nisso.. Dizem que vários portugueses faleceram vítimas de Gripe A este ano, mas na verdade quem os vitimou foi Amália R (de Rodrigues). Fomos bombardeados em doses industriais - só faltou a Matutano lançar umas batatas especiais onduladas Amália - e no meio da overdose a única coisa interessante que descobri, por acaso, foi este genial fado da Caldeirada.

 

 

Tive oportunidade de comer coisas igualmente esquisitas por essa Europa fora, entre Praga, Viena e Budapeste, e de descobrir que um pomposo Wienerschnitzel não passa dum bife panado (tantas letras desperdiçadas, Deus meu), e tive sobretudo oportunidade de acertar na única companhia aéra a operar em Portugal que faliu sem apelo nem agravo, deixando-me pendurada, de bilhete na mão. Sky Europe, descansa em paz. Qual Solnado, qual Michael Jackson, qual quê. O Mundo pode ter ficado mais pobre sem eles, mas eu fiquei cento e muitos euros mais pobre sem ti. Essa é que é essa.

Uma coisa que felizmente não fale nem falirá jamais é a caixinha mágica (à sua maneira, é também uma caixa negra, com o registo de todos os acontecimentos ridiculamente importantes). Entre o Big Give da Oprah (ainda se lembram?), o Everyday Food, a reconstituição do desaparecimento de Maddie made in TVI e as declarações de Carolina Patrocínio sobre frutas diversas, passou-se um bom bocado! E, mais importante que tudo: eu estive lá, no estúdio do programa da D. Fátima, apresentado por D. Merche. E isso muda a vida duma pessoa. Isso e colaborar de alguma forma no Natal dos Hospitais (nem que fosse fornecendo os croissants do catering). São life changing moments, como diria a supra-citada Oprah.

 

De vez em quando trabalhei. Há muito, muito tempo, era eu uma criança (em Maio), o Papel Químico conheceu a luz do dia, e correu muitíssimo bem. Pelo menos a minha avó foi ver e achou "pilhas de graça". Isso chega-me. Mais recentemente, "O que se passou foi isto"...

 

 

2009 foi também ano de muitas eleições, mas o que realmente fica não são as cruzinhas que as pessoas fazem ou não nos boletins. O que fica é isto: Islatino continua a ser presidente da minha terra (boys will be boys, corruptos will be eleitos), uma chapada nas ventas, sofrida pelo Avô Cantigas com que o PS tentou ganhar as Europeias (apelando ao voto jovem), o facto de Manuela Ferreira Leite se referir repetidamente ao teleponto como power point, e a afirmação de Paulo Portas: "há quem esteja indeciso entre o Bloco e o CDS" - são sempre comoventes estas alusões à mãe em plena batalha política. Ah, e não podemos esquecer esses bonitos momentos de televisão que foram o "Como Nunca os Viu". Para mim era de facto importante saber que Portas come sushi todos os dias e que tem um aquário gigantesco na sala. Mudou radicalmente o meu sentido de voto. Votei sashimi num japonês ali para os lados da Junqueira (bom e barato, não divulguem muito).

Há quem diga que 2009 ficou marcado pelo caso BPP e pelo caso BPN. Para mim ficou marcado pelo caso Caixa Geral de Depósitos, já que tive que desfalcar a minha própria conta em vários milhares de euros (e aviso com pesar que isto não é exagero estilístico) para pagar a dívida à Segurança Social. E o pior é que não me sinto mais segura agora. Sinto-me até bastante insegura sempre que penso no campeonato português e me lembro das afirmações de Varela, no início de 2009: "para além do trabalho é necessário um talento inapto". Pois, talento inapto é o que mais se tem visto lá no Estádio do Dragão. O que muito me apoquenta. Felizmente não acredito em milagres e muito menos em Jesus. Aí vamos nós a caminho do Penta (wishful thinking).

 

Mas previsões para 2010 ficam para outro dia, e para outro blog (talvez o da Maria Helena, a astróloga com o nome menos sonante de sempre). Bom Ano!

 

 



escrito por Joan@ às 23:38
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Sábado, 3 de Outubro de 2009

Há quem se mostre muito chocado com esse estranho hábito dos portugueses (ao qual infelizmente nunca tive o privilégio de assistir) de aplaudirem quando um avião aterra (avião dentro do qual eles se deslocam, claro, senão eram ovações constantes ali junto ao Areeiro).

Eu cá compreendo-os muito bem, e vou até mais longe: sinto genuína vontade de abraçar e beijar demoradamente o comandante, no momento da aterragem (depois do avião estar bem parado, claro, não fosse esse ataque causar algum acidente). É que para mim é, e será sempre, um milagre, isto dos seres humanos voarem. E o desconforto vivido durante uma viagem de avião é recompensado no momento em que piso terra firme, e sinto uma alegria de viver que acho que nem no saudoso 3 de Janeiro de 1986 senti (até porque cortarem o cordão umbilical a uma pessoa é sempre coisa desagradável). É por isso que recarrego baterias em todas as viagens que faço. Não interessa os sítios onde vou, até posso fazer apenas Lisboa-Porto, mas se meter check in e check out, e bagagens e sacos de enjoo e, como diziam no último vôo da TAP em que andei "o colete da salvação" (o que dá à coisa um ar católico, e ao mesmo tempo cria em medrosos como eu a certeza de que sim, vamos mesmo morrer, é o dia do juízo final), é suficiente para eu me considerar uma sobrevivente quando saio do avião.


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escrito por Joan@ às 18:18
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Sexta-feira, 2 de Outubro de 2009

Basta a análise das duas divisões principais das habitações para descobrir o nivel de desenvolvimento dos povos. Falo, evidentemente, da casa-de-banho e da cozinha. E acho que a inexistência de um bidé, numa delas, e a existência massiva de goulash noutra (espero que estejam a fazer as correspondências devidas, e não a imaginar um guisado de porco com muita paprika entre o lavatório e a banheira) é bastante elucidativo quanto à sofisticação destas nações.


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escrito por Joan@ às 18:17
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Sábado, 1 de Agosto de 2009

Os meteorologistas têm problemas em prever o tempo que fará no dia seguinte (a avaliar pelo que vejo aqui da janela, têm-nos e de que maneira, que ontem não vi em lado nenhum escrito ou dito que dia 1 de Dezembro teria lugar já em Agosto). Os videntes, mesmo os mais experientes, capazes de ler borras de café, têm algumas dificuldades em prever o que irá acontecer no ano seguinte. Normalmente jogam pelo seguro dizendo coisas como "Portugal continuará em crise" ou "o FC Porto será campeão". A maioria das pessoas queixa-se de não conseguir prever onde estará e o que fará daqui a dez anos (ou dez minutos, no caso de alguns amigos meus). Mas, para mim, a grande dificuldade de previsão coloca-se sobretudo ao nível do armazenamento de itens variados na chamada mala.

Como é que pode exigir-se a um ser humano que saiba o que é que lhe vai apetecer vestir no dia 5 de Agosto, daqui a tanto tempo, quando acordar? Depende de tantos factores! É por essas e por outras que acabo por levar o dobro do necessário, só para alargar o leque de escolha. Pedirem-me que leve apenas e só aquilo de que necessito seria o mesmo que me perguntarem o que me vai apetecer comer no dia 29 de Novembro ao almoço. Por acaso até sei. Frango com esparguete. Mas podia perfeitamente não saber.

 

E este dilema, que não chegou a acontecer mas podia perfeitamente ter acontecido, traumatizando-me quiçá para toda a vida, lembra-me um mítico vídeo d'Os Incorrigíveis, que "aqui vos deixo", como nos conselhos do Aleixo.





escrito por Joan@ às 12:09
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Sexta-feira, 15 de Agosto de 2008

Horas depois chego à conclusão que até há vantagens em ir desta para melhor, bater a bota, morrer, falecer, como lhe queiram chamar...

 

É que não é preciso fazer mala.



escrito por Joan@ às 00:43
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