Sexta-feira, 4 de Janeiro de 2013

Este blog começa a ser como um daqueles parentes que só vemos de ano a ano (precisamente pela altura do Natal), mas não é por isso que vou acabar com ele. Também não matamos o nosso tio-avô lá porque só o vemos na Consoada.

 

Assim, e passado quase um ano desde o último post, venho fazer o meu rescaldo de 2012. Com atraso, bem sei, mas não tenho culpa que a época de Natal seja tão má para os guionistas como para os pasteleiros: também fazemos horas extra. E o pior é que não é a pincelar bolo-rei. 

 

Mas não queria deixar passar em claro um ano tão importante como 2012. Afinal de contas foi o ano em que o meu grande herói, Paco Bandeira, que me tinha feito comprar a cassete da banda sonora da Roseira Brava, mostrou que a ternura dos 40 não existe coisa nenhuma! O melhor é aproveitar a ternura enquanto tenho 27, que depois acaba-se e o tratamento é de caçadeira para cima.

 

2012 foi o ano em que fiquei a conhecer Helsínquia, Oslo, Estocolmo, Copenhaga e Madrid. Ah, e Ofir também (muito bonito). Foi o ano em que mais kilómetros de páginas escrevi (devia usar um tacómetro, com os camionistas). Foi o ano em que conheci Deus (há quem lhe chame Manuel Luís Goucha). Foi o ano em que aprendi a andar de bicicleta (sem rodinhas!). Foi o ano em que a minha casa deixou de ter uma espécie de catarata do Niagara na sala (bom para atrair turistas, mas chato na rotina diária). Foi o ano em que comecei a acordar antes das seis da manhã para cumprir um daqueles sonhos que nós achamos que são tão altos que nem verbalizamos (até porque coisas altas dão-me vertigens). Foi o ano em que fiz novos amigos (logo eu, que sou tão anti-social). Foi o ano em que aprendi (aprender é uma palavra claramente exagerada) a jogar squash. Ah, e foi o ano em que descobri finalmente onde comprar bons rissóis de camarão. Nunca devemos subvalorizar um bom rissol.

 

2012 ainda não foi o ano em que tive uma apendicite (mas passei uma tarde no hospital a pensar que sim). Ainda não foi o ano em que ganhei o Euromilhões (o facto de não jogar talvez não ajude). Ainda não foi o ano em que voltei aos Estados Unidos. Ainda não foi o ano em que cumpri uma dieta exemplar. Por isso é que inventaram 2013. Ou então vai só ficar tudo na mesma, e vai ser muito bom assim.

 

 

 


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escrito por Joan@ às 20:53
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Quinta-feira, 29 de Dezembro de 2011

Passei este mês a escrever vários balanços do ano, cheios de coisas francamente desinteressantes, como eleições, a morte de ditadores ou a chegada da troika, e uma ou outra ligeiramente mais interessante, como a nuvem de cinzas em nova york (também conhecida como cremação do Carlos Castro) ou a emigração, avant la lettre, da família Abreu-Djaló. Mas o meu 2011 foi marcado por coisas bem mais importantes e que provavelmente mudarão tanto o mundo como o desaparecimento do Bin Laden ou do Kim Jong Il, ou seja, nada.

 

Em Janeiro fiz a "sagrada" escritura da casa, e assim, 15 anos depois, regressei a Caselas, que tinha abandonado no fim da quarta classe. Depois disso houve a compra dos móveis, as mudanças, os barbecues no terraço e mais tarde, porque as boas histórias precisam de algum conflito, a chuva e as infiltrações. Aguardemos por 2012 para saber como termina o filme. Se a casa não ruir é um final feliz.

 

 

Uma das aquisições mais importantes para a casa nova foi, claro, o plasma. Para assegurar as doses de televisão de que o meu sistema sanguíneo precisa. Neste momento acho até pouco rigoroso dizer que vejo muita televisão. Acho que é já a televisão que me vê a mim, porque estou sempre em frente dela. E não me arrependo de nada. Até porque em 2011 tive direito a assistir a coisas como esta: uma senhora no você na tv perdeu a oportunidade de ganhar 10 mil euros por não saber quem escreveu "a relíquia". ficou apenas com 100 por saber quem é a jessica athayde. são estas coisas que me fazem acreditar que o facto de ter ido à escola combinado com visionamento maciço do Goucha me fará rica.

 

Como nem só de ócio vive o Homem, tive de ajudar a fazer alguma televisão também. E gostei particularmente de ver o resultado destes sketches:

 

(Não, Não & Não - Canal Q)
Estado de Graça (RTP1)

Além da televisão podemos sempre contar com alguma imprensa para nos dar alegrias. Não vou fazer o resumo das TVMais, TV7dias e TVGuia que li ao longo do ano, porque é manifestamente impossível, mas deixo-vos a manchete que mais me fez rir em 2011. By Correio da Manhã (o melhor, desde que faleceu prematuramente o 24horas) - "Simão Saborsa abatido no funeral do pai". Sou só eu que imagino dois cadáveres em vez de um?

 

Em 2011 também aprendi muito. Fiquei a saber que a Ponte de Entre-os-Rios de chamava Hintze Ribeiro e não Índice Ribeiro, e descobri que afinal nesta música ninguém diz "katmandu".

 

 

 

 

Mas não pensem que eu não tenho consciência social. 2011 foi sem dúvida o ano das manifestações populares, da insurreição dos precários e indignados. Eu não vou passar ao lado disso. Não vou resumir o ano sem recordar o 12 de Março. Dia que me fica na memória por ter visto uma mulher a empunhar um cartaz a dizer "Quero engravidar!". Alguém devia explicar-lhe que não é ali que se trata disso. Se fosse na Praça Tahrir talvez ainda tivesse sorte. Agora, em Portugal, um país de brandos costumes e com Henrique Sotero preso? Nem pensar.

 

2011 foi também ano de grandes alegrias desportivas - na óptica do adepto, já que na óptica do utilizador, torci um pé, acontecimento que me fez chorar muito mais do que qualquer medida de austeridade. Mas voltando à posição de adepto, que é que como quem diz, a posição sentada no sofá, 2011 foi ano de Villas Boas, de Falcao, de 5 a zero, de apagão, de Liga Europa, Taça de Portugal, barriga cheia. E parece que já foi há tanto, tanto tempo, éramos nós umas crianças e Vitor Pereira estava caladinho num lugar discreto. Mas a maior alegria proporcionada, indirectamente, pelo Porto, foi o relato da SportTV nos festejos do campeonato. Fernando Belluschi entra em ampo com um recém-nascido ao colo e o comentador diz "creio que será um animal!". Priceless. Deu-me quase tanta alegria como aquele golo de calcanhar do Falcao (um dos 5).

 

Em 2011 rendi-me finalmente ao iPhone, no preciso dia em que Steve Jobs morreu. Chego sempre um bocado atrasada às cenas da moda. Mas chegou até mim, bem a tempo, a Bimby, e acho que a nossa relação pode evoluir positivamente em 2012 (tenho que ver o que diz a Maya sobre o assunto). Descobri o meu novo restaurante preferido (o Umai, mas não digam a ninguém), experimentei uma coisa que todos deviam experimentar antes de morrer (não, não me confundam com o Renato Seabra, foi só o brunch da Bica do Sapato). Fui à Madeira antes de descobrirem o buraco colossal, fui a Berlim antes de descobrir quão odiosa é a Merkel, fui a Porto Santo e a Amesterdão. E acho que o que gostei mais ainda foi Viana do Castelo.

 

 

Em 2011 apaixonei-me. Sim. Pela Fanny, cuja mãe queria chamar-lhe "Stephanie" (como a princesa do Mónaco), mas foi travada pela avó que não conseguia dizer o nome. E continuei apaixonada pela pessoa que me oferece a melhor parte dos cornettos - o fim - sem pestanejar. E olhem que é uma pessoa amiga do açúcar.

 

E depois de mais um ano em que trabalhei todos os dias para fazer rir alguém, o vídeo que mais gargalhadas me provocou foi este:

 

O que me leva a concluir que a melhor resolução de ano novo é mudar de profissão. Como não sei fazer mais nada (nem rissóis para fora, nem bolos para dentro), o melhor é ficar-me pelas resoluções da praxe. Deixar de fumar, por exemplo, é uma coisa que cumpro sempre com a maior facilidade. Feliz ano novo!


escrito por Joan@ às 10:52
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Segunda-feira, 17 de Janeiro de 2011

Costumo ser contra aquela ideia feita de que "as crianças já não sabem brincar", e que a culpa é dos "jogos de vídeo" (normalmente as pessoas que defendem o primeiro argumento não sabem dizer "consolas")... Talvez porque eu também não sou propriamente da época em que se brincava na rua. Não entendo o fascínio do pião, nem do berlinde abafador e sempre achei que jogar ao mata era uma estupidez inventada por masoquistas. Sempre achei que a televisão, a internet ou o microondas não interferiam minimamente na capacidade das crianças inventarem brincadeiras (pelo contrário, veja-se a célebre cena do cinema em que um Gremlin é derretido num microondas com grill e venham-me lá dizer se isso não é diversão). Bom, tudo isto para dizer que ontem à tarde tive de rever todas estas minhas certezas absolutas sobre o mundo em geral e as crianças em particular. No jardim de um restaurante dois miúdos de 6 ou 7 anos brincavam. A miúda é que ditava as regras (há coisas que nunca mudam, desde a era pré-histórica) e explicava o jogo do seguinte modo:

- Eu sou a casa e grito "casa à venda!" e tu és o avião e respondes "avião à venda!".

E iniciaram este diálogo gritado, que se repetiu durante mais tempo do que o razoável.

Admito, as crianças desta nova geração já não sabem brincar. Mas a culpa não é dos média. É dos pais, que devem ser agentes imobiliários.



escrito por Joan@ às 11:08
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Quarta-feira, 5 de Janeiro de 2011

Não é por "uma imagem valer mais que mil palavras", é só porque já estou farta de escrever (só por hoje, não para sempre, que já há demasiada gente na fila do centro de emprego)... E também porque... (*)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

(*) ... assim posso deixar-vos pensar que desejo, na verdade, contrair matrimónio com um trabalhador da Urbanos, fazer de apanha-bolas no Estoril Open 2011, incluir brócolos em todas as refeições do ano, transformar-me num bonequinho branco ou passar as férias de Verão na Bracalândia (não sei se ainda existe, caso não exista manda-se reabrir...).


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escrito por Joan@ às 19:02
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Terça-feira, 4 de Janeiro de 2011

Fiz ontem bodas de prata comigo própria. Parte má: estou velha. Parte boa: não penso divorciar-me. Quanto mais não seja porque com esta idade tão avançada e cheia de maleitas já não encontrava ninguém que quisesse ser eu. Portanto vou em frente, até às bodas de ouro (e platina, espero).´

Pela primeira vez fiz anos num dia normal. Não é que nos outros anos os dias não tivessem tudo de normal (desde o sol a nascer no princípio até ao carro do lixo a vir fazer a recolha no fim), eu é que teimava em transformá-los numa espécie de episódio especial de "Oprah's Favorite Things". Todos os minutos de todas as horas tinham de ter alguma coisa extraordinária a passar-se, o que acabava por causar mais exaustão do que êxtase. Ontem fiz 25 anos e isso não foi "a big deal". Mais importante foi a minha avó ter feito 88 anos na véspera, por exemplo, e eu ter reparado que quando fizer 88 anos, já não vou ter direito a essa pré-festa no dia 2 (a não ser que arranje uma neta que perpetue a irritante pontaria de nascer em época de ressaca). Mais importantes são todas as coisas que quero fazer em 2011, mais importante foi fechar o dossier "festividades" para poder voltar à vida normal, de todos os dias, que parece tão chata e afinal deixa tantas saudades, e mais importante ainda é deixar claro que gostei na mesma do meu dia, não sofro de qualquer tipo de depressão pós-parto com 25 anos de atraso e não quero que enviem enfermeiros com colete de forças para me virem buscar.

É claro que aproveitei todo e cada clássico do aniversário o melhor que pude: o pretexto para falar com gente que anda por aí perdida o ano todo e só cruza palavras em datas de nascimento, o quase bolo de anos oferecido pelos coleguinhas de redacção (um quase-bolo porque na verdade era um tronco de natal, e nem sequer quisemos saber porque raio alguém faz um tronco de natal em Janeiro...), o jantar com pompa e circunstância feito pela minha mãe, com direito a vol au vent e a cheesecake (o que prova que, das duas uma, ou somos uma família snob que só fala com estrangeirismos, ou estivemos vários anos emigrados na Suiça e em Newark, deixo à vossa consideração a conclusão), os presentes (desde a Escapada Pitoresca, que é nome digno de filme de domingo, até um relógio novo para pendurar numa parede nova). E por falar em presentes: estou crescida! Não recebi nenhum jogo, nenhum brinquedo, nenhum livro de colorir, só livros de receitas, pratos, travessas, talheres... A minha família quer transformar-me na Nigella Lawson. E eu deixo, que acho que isso ainda pode reverter a meu favor. É que até em termos gastronómicos eu estou crescida. Ontem almocei bacalhau cozido! Sim, comi aquele peixe que todos os adultos adoram, depois de anos e anos sem abdicar de um muito maduro atum ou duns sofisticados douradinhos.

Lembro-me de andar na escola e imaginar que gente com 25 anos era muito adulta, com vida feita, casa posta, marido e filhos.

Como não gosto de defraudar ninguém, e muito menos a mim mesma, anuncio aqui oficialmente que...

Não, estou a brincar. Vou continuar a crescer devagarinho, como fiz até aqui (por algum motivo ainda não passei dos 1,53m). Um pé atrás do outro. Um dia bacalhau cozido, noutro dia (quem sabe sexta-feira) habitação própria, e quando dermos por nós vou usar aquelas malas de couro que as mães usam e dentro das quais trazem carteiras que por sua vez têm fotografias tipo passe dos filhos, nas quais os filhos nunca estão favorecidos.

 


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escrito por Joan@ às 09:08
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Domingo, 2 de Janeiro de 2011

31 de Dezembro de 2010:

 

Já não me lembrava de ter uma gripe assim. Daquelas com tudo a que se tem direito: febre a sério (para mim, que tenho como temperatura habitual 35º, ou seja, passo grande parte da vida com temperatura de cadáver e aproximo-me perigosamente da morte quando aqueço um bocadinho), calor, arrepios, transpiração digna de Carnaval da Bahia, frio, dores na parte da frente da cabeça, na parte de trás da cabeça, e naquela parte que eu não sabia que tinha na cabeça (dito assim subitamente parece que estou a referir-me a cornos, mas vou deixar estar e resistir ao impulso de apagar), dores na garganta, nos ouvidos, nos dentes e no maxilar (sim, vá-se lá saber porquê), dores nos ossos dos pés como se tivesse acabado de entrar no mar da Ericeira (como se pertencesse àquele grupo de idosos dementes que dão mergulhos no Ano Novo), aquela sensação incomparável de ter levado com uma moca de madeira de um qualquer Flinstone em cheio no pescoço.

 

1 de Janeiro de 2011:

 

Acordei às 8 da manhã para me encher de mais uma dose de estupefacientes, e qual não é o meu espanto quando me sinto deslizar até à cozinha, como quem participa no mais recente videoclip do Usher (não teve assim tanto estilo, até porque estava com um pijama do Snoopy, mas o que importa reter é que o andar já não era entorpecido e mole). Recorri aquela medição absolutamente rigorosa que passa por enfiar um bocado de mercúrio debaixo da axila e descobri que já não tinha febre. Ainda estava nuns elevadíssimos 36 graus e tal, o que fazia do meu organismo uma espécie de Albufeira em Agosto, mas já estava a voltar ao normal.

 

Posto isto, a tosse cá continua, restos doutros sintomas também, mas febre nem vê-a. Já tive febres mais altas mas esta foi a campeã, indiscutível, em termos de qualidade/tempo. Conseguiu fazer grandes estragos em pouco mais de 24 horas e depois, tal como apareceu, desapareceu. E a questão que fica no ar é: "porquê"? Ou, para os mais dramáticos (ajoelhando-se e erguendo mãos para o céu) "porquê meu Deus, porquê logo no último dia do ano!?". Avento já varias hipóteses:

a) Tratou-se apenas e só de greve geral do meu organismo ao reveillon. E o que é certo é que pela primeira vez em 24 anos me livrei das passas...

b) Foi o Universo a dizer "ficas em casa a ver a Casa dos Segredos, que depois de 3 meses como mais fiel espectadora, era o que faltava não apoiares a Ana Isabel na final". (Agora fiquei na dúvida se terá sido o Universo ou "A Voz").

c) Foi Deus (há uma música assim, não é?) a evitar que eu tenha saudades de 2010 e a mostrar que a Maya tem razão quando diz que os capricórnios serão saudáveis em 2011 (sim, Deus lê o Tarot da Maya, é só por isso que ele compra o Público ao Domingo).

d) Foi a minha mãe (as mães têm formas misteriosas de nos adoecer, nem sempre recorrendo a veneno na sopa), com medo que eu me embebedasse na passagem de ano e, à beira dos 25 anos, iniciasse uma carreira no alcoolismo que acabaria por ser fatal e deixar toda a família inconsolável.

e) Foi a única maneira de eu ter finalmente um fim de ano memorável, depois de ter tentado ser feliz em Santa Cruz, em Trinidad e Tobago, na Ericeira, no Vimeiro, no Casino da Póvoa, no Restelo, numa festa de travestis, na Bahia, no Terreiro do Paço e na Nicarágua (alguns destes destinos podem não corresponder inteiramente à verdade).

f) Foi azar, a 31, e sorte, a 1. Mau fim, bom início. Antes assim.

 

Venham de lá os outros 364 dias.



escrito por Joan@ às 16:39
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Quinta-feira, 30 de Dezembro de 2010

Não sou muito dada a balanços, primeiro porque não tenho jeito nenhum para dançar, e segundo porque a verdade é que os grandes acontecimentos nunca me marcam por aí além. Nem as cinzas vulcânicas, nem as cheias na Madeira, nem as escutas, nem o casamento gay, nem o Papa no Terreiro do Paço, muito menos a Lady Gaga no Pavilhão Atlântico ou a Espanha na África do Sul (dito assim parece uma incongruência geográfica!). Em nada a minha vida mudou por acompanhar o drama dos mineiros do Chile (até porque já tinha como constante "mental note" colada no cérebro "não enveredar por grutas escuras"), em nada alterei o meu roteiro por causa da Cimeira da Nato (enquanto Obama não quiser reunir no eixo Linda-a-Velha/Amoreiras está tudo sob controlo). Acho mesmo que o único acontecimento do ano que posso partilhar com (alguns) dos comuns mortais deve ser o 5 a 0 do Porto ao Benfica. Ainda assim, as figuras do ano estão longe de ser o Villas Boas, ou o Hulk, ou o Jorge Jesus, ou o Mark Zuckerberg ou o Julian Assange. As figuras do ano são as que vão comigo ao sushi sexta-feira sim sexta-feira sim, as que mandam mensagens, as que se sentam ao meu lado no cinema e felizmente não comem pipocas, as que me servem o almoço todos os domingos, as que partilham comigo (sem modos nenhuns!) o open space, as que estão presas no Facebook apenas porque nunca há tempo para o "tal café" que anda a ser combinado há quinze meses (será em 2011?)...

Seguindo este ângulo desavergonhadamente egocêntrico, para mim os acontecimentos do ano foram: (e não façam esse ar de "o que é que isso interessa?" porque na verdade também não vos interessa assim tanto a devastação no Haiti... aposto que já nem se lembravam...)

 

- Ter ajudado a erguer (pelo menos até ao nono andar) o Canal Q!

- Ter trabalhado com Herman José (o mesmo que um futebolista poder trabalhar com José Mourinho ou São Pedro poder trabalhar com Deus).

- Ter ido finalmente aos Estados Unidos, conhecer 3 cidades e ficar com vontade de conhecer mais umas 18.

- Ter-me convertido ao Mac (não aos hamburguers, calma! Apenas à maquineta). Mas não me converti ao ponto de jurar, como uns e outros, que eles nunca crasham. Não, que ideia...

- Ter visto a minha avó partir a pena e voltar a andar airosamente mais rápido que um Obikwelu (e sem recurso a doping!)

- Ter passado dois dias no Hotel Ritz a brincar aos ricos e/ou poderosos.

- Ter descoberto que afinal consigo correr! Começou em 5 minutos, já vai numa hora. Qualquer dia sou o Forrest Gump do concelho de Oeiras. Só me apanham em São Pedro do Estoril...

- Ter chegado até ao Mia Couto (sim, para mim ele é a revelação do ano, tipo Fábio Coentrão dos livros, apesar de já ter uma carreira mais longa que o Paulo Futre), ver chegar até mim o The Biggest Loser e uma Modern Family, ver uma das melhores histórias do ano disfarçada de desenho animado, no Toy Story 3.

- Ter comido o melhor sushi, senão do Mundo, pelo menos de Lisboa, ou ali do eixo Belém/Ajuda. O melhor e não se fala mais nisso.

- Ter descoberto, depois de uma busca mais exaustiva que a dos leitores do Onde Está o Wally?, a casa ideal!

- Ter cumprido mais de metade das resoluções para 2010... O que me deixa já meio trabalho adiantado para as resoluções 2011. E como a preguiça nunca muda de ano para ano, isto é um óptimo começo.



escrito por Joan@ às 20:44
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Domingo, 10 de Outubro de 2010

Seguindo o exemplo da excelsa (e outras coisas mais) Susana Romana, que diz que "se um dia for entrevistada pelo Daniel Oliveira, entre lágrimas e ranhoca, já tem o tpc adiantado", aproveitei uns minutinhos para adiantar os meus "deveres".

 

Gosto de ler revistas de trás para a frente, numa leitura que inclui fichas técnicas. Eu sou a pessoa que vai sempre à procura da nota de rodapé para a qual remete um asterisco perdido no texto.

 

Gosto de ver televisão. Toda a televisão do mundo. E em particular a de Queluz.

 

Gosto de ver futebol mas gosto vinte vezes mais de ver debates sobre futebol. São as melhores sitcoms nacionais.

 

Não gosto de perder. Não é de agora: quase todas as pacíficas tertúlias familiares a jogar Pictionary ou Trivial acabavam comigo a virar o tabuleiro ao contrário depois de ter falhado uma qualquer pergunta sobre capitais europeias. E no pós-jogo o desafio era outro: fugir do meu pai e impedir que ele me virasse a mim ao contrário!

 

Gosto de ir ao supermercado. A terapia de algumas mulheres será na Massimo Dutti em tempo de saldos. A minha é certamente no Jumbo em tempo de promoções nos lacticínios.

 

Gosto de Pizza na Brasa, mesmo sabendo que é menosprezada perante a Telepizza. Gosto de Baskin&Robins mesmo depois de ter sido suplantada pela Haagen Dazs.

 

Gosto de andar de carro sem destino. Com destino nunca corre bem porque perco-me sempre.

 

Não gosto de álcool. Nem de café. Nem de tabaco. E nem sequer tenho a desculpa de pertencer a uma igreja esquisita. Sou apenas pouco cool.

 

Gosto de planear a minha festa de anos nas férias do Verão e de começar a comprar presentes de Natal em Outubro.

 

Gosto de navegar aleatoriamente pela Amazon, como quem passeia pelo Colombo a um domingo. Mas sem o cheiro a suor "derivado aos" fatos-de-treino em polyester.

 

Gosto do Inverno, mesmo sabendo que "o que está a dar" é gostar do Verão.

 

Gosto do cheiro de pão acabado de fazer. E acho que "pão com queijo" é uma iguaria que devia receber uma estrela Michelin.

 

Não gosto de andar de metro. Nem de avião. Um é muito em baixo, outro muito em cima. Não gosto de conduzir muito rápido nem muito devagar. Gosto do meio-termo.

 

Gosto de sair do ginásio às oito e meia da manhã, muitas vezes com dificuldades de locomoção mas com um "check" mental feito.

 

Gosto de ver fotografias antigas, de abrir documentos há muito tempo encerrados no computador, de iniciar conversas com a pergunta "lembras-te daquela vez em que..."

 

Não gosto de pessoas demasiado simpáticas.

 

Gosto de comer sushi todas as sextas-feiras.

 

Não gosto de batatas fritas.

 

Gosto quando passa na rádio a minha música preferida. Tê-la em CD não resultaria. É da imprevisibilidade e da surpresa que nasce a alegria.

 

Não gosto de Carnaval. Nem de Halloween. Nem de tunas académicas. Sim, está tudo no mesmo saco.

 

Gosto de palavras. Das que já caíram em desuso e das que ainda não conhecia.

 

Gosto de descobrir restaurantes novos.

 

Não gosto de gastar dinheiro (nem que sejam 10 euros) em restaurantes que o não merecem.

 

Não gosto de falar ao telefone. Acho que esgotei todo o meu talento para isso entre os 13 e os 14 anos. Devo ter um total acumulado de minutos ao telefone superior a muitas operadoras de telemarketing.

 

Gosto de viajar. E gosto ainda mais de planear as viagens. Acho que percorro mais kilómetros antes do que durante.

 

Gosto de ter saudades. E de as matar.

 

Gosto de escrever: recados, sms, mails, cartas e, quando tem mesmo de ser, guiões. Mas sou muito melhor ao nível do postal.

 

Gosto do Facebook. "Joana likes this".

 

Gosto de imaginar como é que vai ser no futuro. De que é que eu vou gostar e desgostar?

 

Para o caso de, por essa altura, Daniel Oliveira não ter ainda abandonado a pergunta "o que dizem os seus olhos?", os meus dirão certamente "medo, mito medo! Quero fugir daqui enquanto é tempo, antes que penses que és o meu melhor amigo e me peças para dormir lá em casa". Acho que é um sentimento partilhado por todos os entrevistados do Daniel Oliveira. Ele é uma espécie de psicopata terno. Tem uma abordagem subtil, à la violador de Telheiras. Tenta conquistar as pessoas com montagens fotográficas fofas ao som do último êxito dos Coldplay, para depois as perseguir para todo o sempre. E consta que há uma ou duas vítimas que ficam com síndroma de Estocolmo (afeição pelo agressor). É ver o caso de Ronaldo que já foi entrevistado para cima de dez vezes.



escrito por Joan@ às 00:52
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Quinta-feira, 16 de Setembro de 2010

Quero renegociar o meu contrato com o Universo. Em 1986, quando fechámos negócio, eu ainda era inexperiente nessas coisas dos contratos vitalícios. Passados 24 anos de (alguma) reflexão queria saber se é possível rever os seguintes pontos:

 

- dores mestruais: aboli-las, por favor.

- fins-de-semana: passam a ter início à quinta-feira e fim à terça.

- sushi: passa a ser de acesso gratuito para todos os cidadãos de nacionalidade portuguesa (estou com o Sarkozy: os romenos dos semáforos terão acesso apenas a tempura de gambas, nada de crus).

- finanças, lojas do cidadão, segurança social: aboli-las também. enviá-las para o mesmo sítio onde jazem as dores menstruais, que por essa altura terão de preencher 209 declarações, anexos e fichas para se legalizarem, e pagarem impostos avultados por cada ovário que atormentaram.

- teletransporte: agilizar a sua invenção. tanto para pequenas deslocações (aposto que inventar uma máquina que nos transporte de oeiras para lisboa sai mais barato que manter os milhões de parquímetros da EMEL), como para longas distâncias. nota importante: antes do teletransporte não é necessário passar por detectores de metais, nem deitar fora garrafas de água, nem pesar as malas.

 

de momento é tudo, quando for necessário volto a contactar.

 

 


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escrito por Joan@ às 11:50
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Quarta-feira, 25 de Agosto de 2010

- descobri esta música, com um mês e tal de atraso. daqui a mais um mês vou descobrir a da shakira e perceber que a espanha venceu o mundial. e infelizmente também ouvi a do "papa americano", o Asereje do século XXI (mas sem o bónus da coreografia giríssima).

- relembrei, quando fui a Albufeira, que devia ter prestado mais atenção às aulas de inglês. devia ter estado especialmente atenta àquele módulo que era "inglês para grunhos".

- joguei "escrúpulos" e percebi, entre outras coisas, que aquele que se intitula de minha "cara-metade" (felizmente nunca usando este termo, porque aí seria eu mesma a deixar-lhe a cara pela metade, ceifando-lhe uma bochecha) estava disposto a passar uma noite por semana com uma MILF, a troco de 20 mil euros anuais. tão barato, e ando eu aqui em despesas.

- doze anos depois, voltei a comer douradinhos.

- percebi que há pessoas que envergam de propósito a sua melhor écharpe (e isto infelizmente é válido para homens também), e calçam os seus melhores sapatos, para irem às "sunset parties" da Praia da Falésia, privar com Fátima Preto.

- tentei fazer crumble de frango. não resultou. continuo a defender que a culpa foi do forno eléctrico, um electrodoméstico tão mortífero para a culinária como a cadeira (eléctrica).

- fiz contas (rudimentares, que a minha capacidade não me permite mais) e percebi que se comprasse água engarrafada em Lisboa, já não tinha dinheiro sequer para me vestir.

- voltei a ter água nos ouvidos e quantidades históricas de areia no fato-de-banho. com bandeira amarela no algarve é garantido.

- comi pizza de brigadeiro e de chocolate branco e durante vários dias implorei que não pronunciassem junto de mim a expressão "rodízio", sob pena de induzir o vómito.

- fiquei a par de todos os dramas do "jet 7" nacional, que nesta época são ainda mais ridículos que no resto do ano. no fundo, são coisas como: "carolina patrocínio vive dilema: deve comer bolas de berlim com ou sem creme?", ou "nuno santos e andreia vale vão à piscina de manhã e à praia à tarde". ai, como me descansa o descanso dos outros.

- comprovei que cidadãos com BI português são personas non gratas em todos os espaços de restauração. Incomodamos por não saber pronunciar correctamente "swordfish grelhado", porque não bebemos 7 barris de cerveja, porque percebemos quando tentam aldrabar-nos, porque gostávamos de ser servidos em menos de hora e meia (tempo médio de espera só para a entrada), e porque no fim de tudo isto não deixamos uma generosa gorjeta e um aplauso ao serviço tão amável.

- percebi porque é que apesar de estarem 5 milhões de portugueses no algarve, a praia ainda tinha espaço para estender a toalha: estavam todos no Algarve Shopping a fazer o mesmo que fazem no resto do ano: passear com a família. mas desta vez de tanga e sandálias.

- confirmei, uma vez mais, a minha falta de jeito para o bowling, a wii, o minigolf, o ténis ou a natação em águas livres (esta não cheguei a experimentar, deixei de lado, tal como o poker, o hipismo ou o hóquei no gelo).

- concluí que 18 dias são um bom início de férias. faltou-me o meio e saltei para o fim.

 



escrito por Joan@ às 12:08
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