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Monstro Bolero

Monstro Bolero

27
Jul10

Nós os Ricos

Joan@

É impossível viver em Portugal e não ouvir referências constantes, vindas de todas as bocas, sobre "o dia em que ganhar o Euromilhões". Como se fosse a solução mágica para todos os problemas, como se fosse o mítico pote de ouro no fim do arco-iris.

Acredito seriamente na hipótese de qualquer dessas pessoas acertar nos 5 números e nas 2 estrelas. Sou muito crédula. Tão crédula e confiante que devia jogar mais vezes. Mas também acredito que ficarão severamente desiludidas depois de levantarem o prémio. Ou melhor, depois de comprarem o Porsche, o Ferrari e o chalet de férias em Quarteira (sim, que o dinheiro não traz bom gosto incluído, basta ver a casa da irmã de Ronaldo em Sarilhos Grandes).

A Amália cantava palavras de Reinaldo Ferreira que diziam que "a alegria da pobreza está nesta grande riqueza de dar e ficar contente". Nunca vivi na pobreza, nunca me faltou pão na mesa (nem brioches - esclarecimento para o caso de Maria Antonieta me estar a ler), mas também não desejo poder acender charutos com notas de 100 euros. Até porque não fumo. Se enriquecesse agora seria automaticamente uma nova rica. E quem se lembra da série do Fernando Mendes sabe que isso não pode ser bom.

De vez em quando jogo no Euromilhões. Raramente acerto um número ou uma estrela que seja. Se um dia ganhar, calhará muito bem. Todos temos planos para quando a fortuna bater à porta. Mesmo que a maioria desses planos não sejam sequer para realizar, e o dinheiro fique a ganhar pó numa conta bancária. Mas a maior alegria já me saiu, sem sequer ter de pagar 2€ ou fazer cruzinhas certeiras. É a alegria de saber que, ao contrário de 99% dos apostadores nacionais, eu não me despedia no dia em que ganhasse. Porque se parasse de fazer o que faço agora, mergulharia na miséria total. Aquela miséria que não se resolve na sopa dos pobres com uma canja de galinha: a pobreza de espírito.

 

 

 

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