Domingo, 8 de Julho de 2007
... terra essa chamada Vila Franca de Xira. Depois de uma semana a combinar esta longa jornada, é sempre bom ver que no momento de arrancar uma das tripulantes diz alegremente que "vamos para o Barrete Vermelho", quando na verdade rumávamos ao Colete Encarnado. Ok, sempre acertou no tom, já foi uma sorte não sair dali um "Ceroulas Verdes" ou "Corpete Laranja". E lá fomos nós. Na incerteza. Seríamos nós capazes de alcançar essa terra distante? Conseguimos. Basicamente porque foi mesmo sempre em frente. Mas chegámos, e isso é que interessa. E logo percebemos que aquela noite prometia. Junto à "danceteria Dó Ré Mi" todo o povo delirava, e eu lancei o mote da noite - "dançar como os nativos". Na mesma lógica de ser Romano em Roma, importava ser Vilafranquense em "Villefranche, la cité que não dorme, pá!" - novo slogan da cidade. Precisamente por ser um misto de Big Apple, com um toque de sofisticação francesa e com um inegável espiríto castiço, que se nota na entoação do "não dorme pá, não dorme!". E lá fomos nós, seguindo a agitada coreografia dos nativos, que pareciam estar a sofrer de descargas eléctricas. Entre a zona techno e o agro-pop do Quim Barreiros, pousamos para as objectivas de uns nativos especiais, todos vestidos de azul escuro e com uma mesma inscrição nas costas - Polícia. Só faltou terem-nos dado uma chapa com o nosso número de identificação prisional. Como não deram, nós mantivemos a pose alegre, como se eles fossem convidados do nosso aniversário, amigos de longa data. Provavelmente na próxima vez que lá voltarmos encontraremos as nossas caras assinaladas como "Wanted, Dead or Alive". Mas uma coisa é certa - estamos bem na foto! Com a alegria de estrangeiras numa ilha distante, em que ninguém nos conhece e os polícias tiram fotografias, antes de lhes virem dar o lanchinho em sacos de plástico - pãezinhos com fiambre, bananas e pacotinhos de leite (perdendo a pouca autoridade que ainda tinham!). Alegria essa que quase se desfez quando um dos membros da nossa trupe foi descoberto por um conhecido, que lhe perguntou o que fazia ela ali. Ela gaguejou mas resistiu, com a justificação mais convicta, coerente e... parva, da história: "Eu.... bem... eu vim com uma amiga minha que é de cá... Ela por acaso não veio". E esta coerência estendeu-se aos restantes membros da equipa que proferiram frases míticas como: "o miúdo é engraçado mas não tem graça nenhuma" ou "ele chamava-se joão, mas na verdade é miguel, embora se chame joão". E para chegar a este estado nem tivemos que beber o mesmo que os nativos. Já somos assim ao natural - o que torna tudo bem mais grave, mas bem mais económico também! Felizmente fomos acompanhadas por uma psicóloga, que trata os nossos dificeis sindromas, e por uma médica que tem diagnóstico pronto para todas as maleitas. Curiosamente, é sempre o mesmo: racutan. Racutan nas unhas, racutan no cérebro, racutan nos ouvidos. O que é? Ninguém sabe! Dizem os antigos que deriva de rasgo cutâneo, mas aplica-se a todo o organismo. Se lhe dói alguma coisa, não mate a cabeça a pensar no que terá. Tem um racutan, senhora!
Para o ano lá estaremos. Junto ao dó-ré-mi, ao nativo de colete (não encarnado mas de cabedal), aos locais de patilhas e lenço ao pescoço, aos índios cantando Sarah Brightman aos brasileiros combinando o local do próximo crime. Cosmopolita este lugar... lá está... Villefranche, lá cité que não dorme, pá!

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escrito por Joan@ às 11:59
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